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Internacional

Irão recusa confirmar ensaio de míssil balístico. E deixa aviso a Washington

JOHN MACDOUGALL/GETTY

EUA e França mostram-se preocupados com o ensaio de míssil balístico do Irão. Já Moscovo sai em defesa do Teerão e diz que não foi violado o acordo de Viena

O governo do Irão recusa confirmar se o país realizou um ensaio de míssil balístico este fim de semana, em resposta às preocupações levantadas pelos EUA e França. E deixou um aviso à nova administração norte-americana.

“Esse assunto não faz parte do acordo nuclear. Como todos os signatários do acordo anunciaram, a questão dos mísseis não faz parte do acordo nuclear [assinado em julho de 2015 entre o Teerão e o grupo dos 5+1]”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo francês, em Teerão.

De acordo com o chefe da diplomacia iraniana — que falava horas antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, solicitada pelos EUA, para analisar o último ensaio realizado pelo Irão —, os mísseis balísticos do país “não foram projetados para carregar uma ogiva nuclear”, mas para atuar no “campo da legítima defesa.”

“Que isto não seja um pretexto para jogos políticos”

Dirigindo-se a Washington, Mohammad Javad Zarif disse esperar que o programa de mísseis balísticos do Irão não seja usado como um “pretexto para jogos políticos” por parte da nova administração norte-americana, de forma a criar novas tensões entre os dois países que recentemente proibiram a entrada de cidadãos iranianos e norte-americanos nos seus territórios.

Estas declarações do MNE iraniano surgem depois de a Casa Branca ter anunciada, na segunda-feira, que está a analisar um teste de um míssil balístico no Irão. O objetivo é averiguar se os mísseis balísticos tinham capacidade para transportar uma ogiva nuclear, o que não é permitido ao país segundo uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Também o MNE francês, Jean-Marc Ayrault, manifestou a sua oposição à realização de testes de mísseis, sustentando que tal ação contraria o espírito da resolução do Conselho de Segurança e “prejudica o processo de restaurar a confiança estabelecido pelo acordo de Viena”.

Moscovo apoia Teerão

Em defesa do Irão surge a Rússia, cujo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Serguei Riabkov, defendeu que a realização do ensaio de um míssil por parte do país não viola o acordo de Viena. “A resolução do Conselho de Segurança não define qualquer proibição para o Irão quanto à realização destas ações e inclui apenas um apelo ao Irão para que não efetue ensaios de mísseis capazes de serem armados com uma ogiva nuclear. Não se trata de uma proibição”, afirmou o governante russo à agência Interfax.

Recorde-se que o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, já recusou descartar os termos do acordo nuclear, tal como Trump defendeu várias vezes durante a corrida à Casa Branca.

Foi a 14 de julho de 2015 que o Irão e o grupo de países 5+1 (EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Rússia e China) alcançaram um acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano, após 20 meses de negociações que colocaram fim a mais de uma década de impasse. O documento visa diminuir a atividade nuclear do Irão em troca da suspensão gradual de sanções, que reduziram as exportações de petróleo.

Até essa altura, os países ocidentais temiam que o Irão utilizasse o seu programa nuclear para desenvolver armas nucleares, ainda que o regime do Teerão tenha sempre negado essa intenção.