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Petição contra visita oficial de Trump ao Reino Unido ultrapassa um milhão de assinaturas

Olivier Douliery / POOL/ EPA

Petição no site do Parlamento britânico refere que Trump não deve ser impedido de entrar no Reino Unido na qualidade de chefe do Governo dos EUA, mas que o convite para uma visita de Estado oficial deve ser retirado para não ultrajar a Rainha Isabel II

Quase um milhão de pessoas já assinaram uma petição a exigir ao Governo britânico que retire o convite ao Presidente dos EUA para uma visita oficial a Londres, que incluirá um jantar com a Rainha Isabel II. A petição foi lançada antes de Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, ter apresentado o convite formal a Donald Trump na passada sexta-feira, durante a sua visita oficial aos Estados Unidos, que fez dela a primeira chefe de um Governo estrangeiro a encontrar-se com Trump desde a tomada de posse deste.

O convite cita uma visita "de Estado", o que significa que passará por um encontro com a chefe da Casa Real britânica, aponta a Reuters. A campanha contra esse estatuto ganhou força após o líder norte-americano ter ordenado a suspensão do programa de acolhimento de refugiados nos EUA durante os próximos quatro meses e a proibição "temporária" de entrada de cidadãos de sete países maioritariamente muçulmanos – Iémen, Iraque, Irão, Líbia, Síria, Somália e Sudão.

Esta segunda-feira de manhã, a petição já contava com 930 mil assinaturas e, pelas 9h30 de Lisboa, o jornal "The Independent" estava a fazer uma contagem em direto, dizendo que está perto de ultrapassar um milhão de assinaturas. Pelas 10h, o documento no site de petições do Parlamento britânico já tinha ultrapassado a barreira prevista.

"Donald Trump deve ser autorizado a entrar no Reino Unido enquanto chefe do Governo dos Estados Unidos, mas não deve ser convidado para uma visita de Estado oficial porque tal causaria embaraço a sua majestade a Rainha", lê-se na petição. Assim que qualquer petição ultrapassa as 100 mil assinaturas, os deputados do Parlamento britânico são obrigados a considerá-la para debate.

O passo de Trump tem sido criticado no Reino Unido por legisladores de todo o espectro político, incluindo do Partido Conservador de May. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o maior da oposição, já defendeu publicamente que a visita do Presidente norte-americano deve ser suspensa.

Ao contrário dos membros do Parlamento, incluindo dos seus colegas de partido, May recusou-se a condenar o que é visto como uma perseguição religiosa a muçulmanos pela nova administração norte-americana. Confrontada com as ordens de Trump, um dia depois de ter concluído a sua visita aos EUA e de se ter encontrado com o novo inquilino da Casa Branca, a primeira-ministra disse que "os EUA são responsáveis pela sua política de refugiados e o Reino Unido é responsável pela sua".

A preparar-se para dar início ao processo de saída da União Europeia, May foi aos EUA trabalhar a "relação especial" com o aliado transatlântico e começar a delinear um futuro acordo de livre comércio que, sugeriu a própria na semana passada, pode vir a passar pela privatização parcial do sistema nacional de saúde do Reino Unido com a entrada prevista de capital norte-americano.