Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Deputados britânicos pedem que Trump não discurse no parlamento na visita ao Reino Unido

JIM LO SCALZO/EPA

Os deputados consideram que não seria apropriado que o líder norte-americano se dirigisse às duas câmaras parlamentares no mesmo local onde discursou, em 1996, o então Presidente da África do Sul, Nelson Mandela, ou onde foi colocado o caixão com o antigo primeiro-ministro conservador Winston Churchill

Deputados britânicos pediram esta segunda-feira aos líderes das duas câmaras parlamentares do Reino Unido que impeçam que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se desloque ao parlamento durante a sua visita oficial ao país.

Com apoio de colegas de outros partidos, Stephen Doughty (Partido Trabalhista) apresentou uma moção pedindo aos presidentes da Câmara dos Comuns, John Bercow, e da Câmara dos Lordes, Peter Fowler, para que "não deem autorização ao Governo de sua Majestade para que o Presidente Trump pronuncie um discurso em Westminster Hall ou em qualquer outro lugar do Palácio de Westminster".

A moção repudia a decisão do Presidente norte-americano (republicano) de impedir a entrada nos Estados Unidos a pessoas de sete países de maioria muçulmana (Sudão, Iraque, Somália, Síria, Líbia, Iémen e Irão), bem como os seus comentários sobre as mulheres e favoráveis à tortura.

A primeira-ministra britânica, a conservadora Theresa May, convidou Trump a realizar uma visita de Estado ao Reino Unido, com a rainha Isabel II como anfitriã, no seu encontro com o novo Presidente dos EUA, na Casa Branca, na sexta-feira passada.

Barack Obama, que concluiu há duas semanas o seu segundo mandato na Casa Branca, foi o primeiro Presidente dos EUA a discursar no histórico Westminster Hall, em 2011, enquanto os antigos líderes norte-americanos Bill Clinton e Ronald Reagan e, mais recentemente, a chanceler alemã, Angela Merkel, o fizeram na menos emblemática Galeria Real.

As visitas de Estado ao Reino Unido incluem, normalmente, um discurso do dignitário convidado perante as câmaras do parlamento, cujos membros se juntam para a ocasião.

A oposição política no Reino Unido, bem como mais de um milhão de pessoas, através de uma petição na Internet, pediram a May que suspenda a visita, na sequência da decisão de Trump de suspender o programa de refugiados nos EUA e a entrada de nacionais de alguns países.

Apesar disso, um porta-voz de May confirmou esta segunda-feira que a visita de Trump se realizará, numa data ainda por confirmar, alegando que a primeira-ministra está muito satisfeita por ter convidado o chefe de Estado norte-americana e tem "muita vontade" de o receber no Reino Unido. "Fizemos um convite ao Presidente, ele aceitou e é correto que continuemos a promover a nossa relação próxima", acrescentou a mesma fonte do Governo britânico.