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Internacional

Atentado contra mesquita no Canadá faz pelo menos seis mortos

ALICE CHICHE

Primeiro-ministro Justin Trudeau condena “ataque terrorista contra muçulmanos”. Dois suspeitos já foram detidos e polícia diz que é improvável que haja mais responsáveis em fuga. No rescaldo do tiroteio e depois de uma mesquita do Texas ter sido incendiada, o autarca de Nova Iorque, Bill de Blasio, ordenou o reforço da segurança das mesquitas da cidade

Pelo menos seis pessoas morreram e oito ficaram feridas num tiroteio numa mesquita da Cidade do Quebec, no Canadá, no domingo, quando dezenas de muçulmanos estavam reunidos no local de culto para as orações da noite. A polícia confirmou o balanço de vítimas avançado pelos media e disse que o caso está a ser tratado como um ataque terrorista.

Duas pessoas já foram detidas por suspeitas de ligações ao atentado, com as autoridades a dizerem que não têm razões para suspeitar que mais suspeitos estejam em fuga. A área, diria a polícia pouco depois no Twitter, está segura e a situação "sob controlo", após dezenas de pessoas terem sido retiradas da mesquita em segurança. Para já ainda não foram avançadas quaisquer informações sobre os alegados autores do atentado.

Ataque terrorista foi como o primeiro-ministro também classificou o incidente de ontem à noite. "Condemamos este ataque terrorista contra os muçulmanos num local de culto e refúgio", disse Justin Trudeau em comunicado. Antes disso, no Twitter, o chefe do governo canadiano — que no fim-de-semana garantiu que o Canadá irá dar asilo e proteção aos os que forem rejeitados pelos Estados Unidos sob a nova medida de Donald Trump que impede a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana no país — falou num atentado cobarde contra a minoria muçulmana: "Esta noite, os canadianos lamentam os que morreram neste ataque cobarde a uma mesquita da Cidade do Quebec. Os meus pensamentos estão com as vítimas e as suas famílias."

À Reuters, uma testemunha disse ter avistado pelo menos três atiradores a abrirem fogo sobre cerca de 40 pessoas que estavam reunidas no Centro Cultural Islâmico da capital da província do Quebec. "Porque é que isto está a acontecer aqui? Isto é bárbaro", lamentou o imã da mesquita, Mohamed Yangui, que não estava na mesquita à hora do tiroteio.

Na sequência do atentado de domingo, Bill de Blasio, autarca de Nova Iorque, disse que a polícia já está a garantir proteção adicional às mesquitas da cidade. "Todos os nova-iorquinos devem permanecer vigilantes, Se virem alguma coisa, digam alguma coisa", pediu no Twitter.

Logo a seguir, em mais duas publicações, De Blasio lembrou que uma mesquita norte-americana foi incendiada na sequência do anúncio de Trump. "O terrível atentado no Quebec não é um evento isolado. Hoje, uma mesquita no Texas foi totalmente incendiada. Temos de parar aqueles que querem dividir-nos. A todos os meus conterrâneos nova-iorquinos que são muçulmanos: a cidade de Nova Iorque vai proteger-vos. Vamos lutar contra o ódio e e o preconceito."

Na mesma rede social, Greg Fergus, deputado liberal do Canadá, invocou as palavras de Trudeau e da polícia. "Isto é um ato de terrorismo, é o resultado de anos a demonizar os muçulmanos. As palavras importam e os discurdsos de ódio têm consequências!"

Tal como França, a província francesa do Quebec tem estado a tentar reconciliar a sua identidade secular com o aumento da população muçulmana, na sua maioria emigrantes do Norte de África. Em junho do ano passado, por alturas do referendo ao Brexit no Reino Unido, uma cabeça de porco foi deixada à porta deste mesmo centro cultural islâmico.

Os ataques islamofóbicos têm estado a aumentar nos últimos anos no Quebec: em 2013, a polícia abriu uma investigação depois de uma mesquita da região de Saguenay ter sido salpicada com o que se crê ser sangue de porco. Na província de Ontario, logo ao lado, uma mesquita foi alvo de fogo posto em 2015, um dia depois dos atentados de Paris em novembro.

"Não estamos seguros aqui", garantiu ontem Mohammed Oudghiri, que normalmente participa nas orações na mesquita da área residencial que foi alvo do atentado, mas que ontem não conseguiu estar presente à hora do atentado. Oudghiri vive no Quebec há 42 anos e diz estar "muito preocpado" com a situação, o suficiente para ponderar regressar a Marrocos.

Ao contrário dos Estados Unidos, os tiroteios em massa são raros no Canadá por causa da legislação mais estrita sobre posse de armas, pelo que a notícia do tiroteio foi recebida com choque na província de língua francesa. "É um dia triste para todos os que vive no Quebec e para os canadianos ver um ataque terrorista a ter lugar na pacífica Cidade do Quebec", disse Mohamed Yacoub, co-diretor de um centro comunitário islâmico de um subúrbio de Montreal. "Espero que tenha sido um ato isolado."

Zebida Bendjeddou, que já tinha deixado a mesquita no domingo à noite quando se deu o ataque, garantiu à Reuters que o centro cultural tinha recebido ameaças nos últimos tempos. "Em junho puseram uma cabeça de porco em frente à mesquita mas nós pensámos: 'Oh, são só eventos isolados.' Não levámos a sério. Mas esta noite, estes eventos isolados ganham contornos diferentes." Quem morreu, acrescentou, "são certamente pessoas que conheço. Pessoas que conheço desde que eram crianças."