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Afinal, os imigrantes muçulmanos que têm visto podem entrar nos EUA

CHARLES MOSTOLLER/REUTERS

É um passo atrás na medida que Donald Trump assinou na sexta-feira a impedir a entrada nos EUA de imigrantes e refugiados de sete países muçulmanos. Mas o chefe de gabinete da Casa Branca avisa que, mesmo quem tem visto, será sujeito a uma maior fiscalização e até poder ser interrogado. Só no sábado foram detidas mais de 100 pessoas

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Afinal, a ordem executiva que o Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou na sexta-feira a impedir a entrada de imigrantes e refugiados de sete países muçulmanos nos EUA, não se aplica aos cidadãos que já tenham visto para entrar ou viver no país. Contudo, não deixarão de estar sujeitos a um maior escrutínio por parte das forças de segurança nos aeroportos.

O anúncio – e aviso – foi feito pelo chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, que disse, numa entrevista ao canal de televisão NBC, que a medida "não impede os detentores de visto de avançar".

"Não desautorizámos o Departamento de Segurança Interna. No que toca aos detentores de visto, isto não os afeta", disse. Mas tem impacto?, perguntou o jornalista. "Claro que tem. Quem viajar para lá e para cá será sujeito a um maior escrutínio". E até dá um exemplo. “Um cidadão norte-americano que viaje para a Líbia será sujeito a mais perguntas quando chega ao aeroporto", explicou.

Contudo, ressalvou que os viajantes destes sete países – Síria, Líbia, Sudão, Irão, Iraque, Somália e Iémen – apenas serão "sujeitos a mais perguntas temporariamente, até que seja implementado um sistema melhor".

De facto, a medida de Trump foi posta em prática apenas por um período de tempo, ou seja, proíbe a entrada a todos os refugiados durante 120 dias e a dos cidadãos da Síria, Líbia, Sudão, Irão, Iraque, Somália e Iémen durante 90 dias.

109 impedidos de entrar em apenas um dia

A ordem executiva de Trump foi assinada na sexta-feira e começou a ter efeitos práticos logo no sábado. De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, a decisão de não se fazer um aviso prévio foi para “garantir que as pessoas não chegassem em massa antes de ser aplicado (o decreto)”.

Ainda assim, o caos instalou-se nos aeroportos.

Segundo dados da Casa Branca, citados pela ABC News, um total de 375 viajantes foram impactados por esta nova medida anti-imigração. Destes, 109 foram impedidos de entrar à chegada aos EUA, 173 foram impedidos de voar para os EUA e 81 receberam um passe especial por serem residentes permanentes ou porque tinham um visto com um estatuto especial.

Números que o Departamento de Segurança Interna dos EUA desvaloriza. "Entram todos os anos nos EUA aproximadamente 80 milhões de passageiros internacionais. Ontem [sábado], menos de 1% dos mais de 325 mil passageiros internacionais que chegam todos os dias por via aérea foram afetados por estas novas medidas de segurança", pode ler-se num comunicado publicado este domingo no site do Departamento de Segurança Interna.

Trump explica medida... de novo

A medida de Trump foi amplamente criticada em todo om lado, por políticos, desportistas, empresários como o fundador do Facebook, e até empresas como a Google, mas no sábado ao final do dia o Presidente congratulou-se e disse mesmo que a medida estava a "correr muito bem", precisamente por já haver um grande número de pessoas impedidas de entrar no país.

Com o aumento das críticas e também dos protestos, principalmente nos aeroportos, Trump voltou a explicar o porquê desta medida e, como já é habitual, usou o Twitter.

"O nosso país precisa de fronteiras mais fortes e de uma vigilância extrema. JÁ.Vejam só o que está a acontecer na Europa e no Mundo - uma trapalhada horrível", escreveu.

E poucas horas depois escreveu uma outra publicação.

"Os cristãos no Médio Oriente foram executados em larga escala. Não podemos permitir que este horror continue!", disse.

Ordens judiciais podem ter pouco efeito

Pelo menos três juízes norte-americanos ordenaram que se levantasse a proibição de entrar nos EUA, dizendo que a medida não era constitucional, contudo, o Departamento de Segurança Interna já fez saber num comunicado publicado no site que vai continuar a aplicar a ordem executiva assinada pelo Presidente Trump.

"O Departamento de Segurança Interna vai continuar a aplicar todas as ordens executivas do Presidente Trump de uma forma que assegure a segurança do povo americano. As ordens executivas do Presidente Trump mantêm-se em vigor e o Governo dos EUA mantém o seu direito de revogar vistos sempre que necessário por questões de segurança nacional. A ordem executiva do Presidente Trump afecta uma pequena parte dos passageiros internacionais e é um primeiro passo para o restabelecimento do controlo nas fronteiras americanas e na segurança nacional", pode ler-se do documento.

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