Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“A experiência portuguesa inspira-nos”

Benoit Hamon agradece a vitória ao lado do seu opositor Manuel Valls e do primeiro secretário do Partido Socialista Jean-Christophe Cambadelis

PHILIPPE WOJAZER/REUTERS

Benoît Hamon, vencedor da primária da “esquerda cidadã” francesa, disse esta noite que vai lançar de imediato conversações para unir os socialistas e a esquerda, incluindo com Jean-Luc Mélenchon, candidato às presidenciais apoiado pelos comunistas e a esquerda radical

“A experiência portuguesa inspira-nos, em parte”, explica ao Expresso Pascal Cherki, deputado socialista, amigo pessoal e porta-voz do candidato às presidenciais, que venceu na noite deste domingo claramente a primária organizada pelo PS francês.

“Pretendemos discutir com toda a esquerda e a experiência do PS português inspira-nos nessa questão da vontade em unir a esquerda, mas temos outros que nos inspiram como Bernie Sanders e temos igualmente as nossas próprias reflexões”, acrescenta este deputado socialista, que é um apaixonado por Portugal, onde se desloca com frequência.

Após a divulgação dos primeiros resultados parciais, com 60% dos votos contados e mais de 58% a seu favor, Benoît Hamon, líder da ala esquerda do PS francês, definiu duas tarefas prioritárias a partir desta segunda-feira: unir os socialistas, bem como a esquerda e os ecologistas. Disse designadamente que pretende formar com Jean-Luc Mélenchon, comunistas e os ecologistas uma aliança para alcançar uma maioria de esquerda no parlamento.

Este objetivo de Hamon prevê-se complicado porque no seio dos muito divididos socialistas algumas figuras da ala moderada, alguns deles apoiantes de Manuel Valls, antigo primeiro ministro e candidato derrotado à primária na qual alcançou pouco mais de 41% dos votos, já disseram que não apoiarão Hamon. Alguns deles declararam já esta noite ir alinhar com Emmanuel Macron, antigo ministro da Economia de Valls e candidato às presidenciais que não aceitou concorrer à primária. Macron nem sequer é do PS, diz nem ser de esquerda nem de direita e é conotado com o centro-esquerda e a social-democracia; ao contrário, Hamon é um dos líderes da ala mais à esquerda do partido.

Pelo seu lado, respondendo antecipadamente aos avanços de Hamon, Jean-Luc Mélenchon garantiu esta semana que “nunca aceitará” desistir a seu favor e ser o “carregador das malas” do candidato do PS.

Apesar de ter ganho legitimidade nas urnas, parece certo que Benoît Hamon vai enfrentar grandes dificuldades até porque as sondagens o colocam em quinto lugar na primeira volta das presidenciais de abril e maio, muito atrás de Jean-Luc Mélenchon e, sobretudo, de Emmanuel Macron. Os mesmos estudos dão a candidata nacionalista, Marine le Pen, em primeiro, e o candidato da direita, François Fillon, em segundo, para a primeira volta, marcada para 23 de abril.