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Trump telefonou a Putin, Merkel e Hollande. Isto foi o que falaram

JIM LO SCALZO/ EPA

Melhorar as relações com a Rússia, combater o terrorismo internacional e o ISIS, a importância da NATO e os refugiados foram alguns dos temas discutidos este sábado à tarde entre o Presidente norte-americano e os vários Chefes de Estado e de Governo

“A conversa decorreu numa atmosfera positiva e construtiva”. É assim que termina o comunicado do Kremlin sobre o telefonema que o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Presidente russo, Vladimir Putin, tiveram este sábado, durante cerca de uma hora.

Segundo o mesmo documento, “durante a conversa, os dois expressão a sua prontidão em manter esforços conjuntos para estabilizar e desenvolver a cooperação entre a Rússia e os EUA numa base construtiva, equitativa e mutuamente benéfica”.

Ou seja, ambos pretendem recuperar as boas relações diplomáticas entre os dois países, principalmente agora que ficaram fragilizadas com as suspeitas de interferências nas eleições norte-americanas e pelas consequentes sanções do ex-Presidente, Barack Obama.

"Este telefonema positivo é um primeiro passo significativo para melhorar a relação entre os Estados Unidos e a Rússia, que precisa de ser reparada", pode ler-se, por sua vez, no comunicado da Casa Branca sobre o mesmo tema, citado pela Lusa.

E para começar esse bom relacionamento, os dois Chefes de Estado já estabeleceram um objetivo em comum: o combate ao terrorismo internacional.

“Os dois líderes enfatizaram que estabelecer esforços conjuntos na luta contra a principal ameaça atual - o terrorismo internacional - é a grande prioridade. Os dois Presidentes falaram em estabelecer ações coordenadas entre a Rússia e os EUA com o objetivo de derrotar o ISIS”, pode ainda ler-se no comunicado, disponível na versão inglesa no site do Kremlin.

Nesse sentido, diz o comunicado da Casa Branca, “Trump e Putin esperam que após esta conversa as duas partes possam avançar rapidamente na luta contra o terrorismo e outras questões de importância mútua”.

O mesmo documento nota ainda que Trump e Putin falaram sobre a situação do Médio Oriente, o conflito Israelo-Árabe, o programa nuclear do Irão, a crise na Ucrânia e ainda a derrota de “outros grupos terroristas na Síria”, além do ISIS. E avança ainda que está já a ser planeado um encontro entre os dois Presidentes, estando a ser definida uma data e local para o efeito.

Donald Trump irá também reunir, em breve e em Washington, com a chanceler alemã, Angela Merkel, com quem também falou ao telefone este sábado.

Nesta conversa, também longa, o tema em destaque parece ter sido a NATO, uma entidade que, há duas semanas, Trump considerou de “obsoleta” por ter objetivos que foram definidos há muito tempo e porque os países não estavam a pagar o suficiente.

Contudo, na conversa com Merkel, os dois concordara em reconhecer “a importância fundamental da NATO no âmbito de uma relação transatlântica alargada e o seu papel para garantir a paz e a estabilidade da comunidade do Atlântico Norte", disse a Casa Branca, em comunicado.

Donald Trump ligou ainda ao Presidente francês, François Hollande, que pediu ao homólogo norte-americano que respeite o princípio de “acolhimento dos refugiados”, fundamento das democracias dos dois países, indicou um comunicado da presidência francesa, citado pela Lusa.

O tema é pertinente dada a ordem executiva que Trump aprovou na sexta-feira para suspender a entrada de refugiados nos EUA e ainda a entrada de cidadãos de sete países muçulmanos, nomeadamente o Irão, Iraque, Líbia, Somália, Síria e Iémen.

Durante a conversa telefónica, Hollande “advertiu contra as consequências económicas e políticas de uma estratégia protecionista”, sublinhando que, “perante um mundo instável e incerto, o isolamento é uma resposta sem resultados”.

E lembrou ainda que a "convicção de que o combate pela defesa das democracias" [francesa e norte-americana] só é eficaz “no respeito dos princípios fundamentais, em particular, o acolhimento dos refugiados”.

Os dois encontraram, no entanto, um objetivo comum e que é a luta contra o terrorismo e a necessidade “em manter as ações no Iraque e na Síria”. “A solução da situação na Síria” deve ser procurada “num quadro político e sob a égide das Nações Unidas (...) nenhuma outra solução seria duradoura ou credível”, destacou.