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Internacional

Demissão de ministro holandês fragiliza governo a mês e meio das legislativas

Van der Steur assumiu a pasta da Justiça em março de 2015 após a demissão do antecessor Ivo Opstelten

JOHN THYS

Ard van der Steur, ministro demissionário da Justiça, é a última baixa no governo do Partido Liberal no âmbito de um escândalo que já tinha levado ao afastamento de outros dois ministros. Partido de extrema-direita soma e segue nas sondagens para as eleições de 15 de março

O ministro holandês da Justiça e da Segurança, Gerard Adriaan Ard van der Steur, demitiu-se ontem do cargo por causa de um escândalo que remonta a 2001, no âmbito do qual o governo de Mark Rutte terá mentido ao Parlamento sobre um acordo de compensação alcançado com um traficante de droga condenado no país.

Der Steur é o terceiro membro do governo holandês a abandonar o executivo por causa de "declarações enganosas" ao Parlamento no rescaldo do acordo alcançado em 2000 com Cees Helman, um barão da droga condenado por tráfico, a quem a procuradoria pagou cerca de dois milhões de euros livres de impostos.

Van der Steur e Rutte são acusados pela oposição de não informarem o parlamento sobre a totalidade deste acordo. Os deputados da oposição ao Partido Liberal (VVD) no poder estavam a preparar uma moção de confiança contra o ministro da Justiça, que se adiantou e decidiu demitir-se do cargo antes de essa moção ser introduzida no Parlamento.

A extrema-direita de Geert Wilders continua a liderar as sondagens de opinião

A extrema-direita de Geert Wilders continua a liderar as sondagens de opinião

Chip Somodevilla

A partida de Van Der Steur representa mais um duro golpe para um governo já fragilizado, que continua em segundo lugar nas sondagens de intenção de voto para as legislativas de 15 de março. Antes dele, o seu antecessor na pasta da Justiça, Ivo Opstelten, e o ministro Fred Teeven já tinham abandonado o executivo em 2015 no âmbito do mesmo caso. Van der Steur continua a garantir que não aconselhou ninguém a manter secretas algumas informações relacionadas com o acordo da procuradoria.

O facto de serem acusados de mentir aos legisladores deverá alimentar ainda mais a descrença de muitos eleitores nos partidos "do sistema", numa altura de crescente populismo na Europa e num momento em que o Partido da Liberdade (PVV), de extrema-direita e anti-imigração, liderado por Geert Wilders continua a liderar os inquéritos de opinião para as eleições, que acontecem dentro de um mês e meio.

De acordo com uma sondagem nacional divulgada no domingo, entre 50% e 75% dos holandeses continuam indecisos. Para além de defender que o islão não é uma religião mas sim uma "ideologia imperialista", Wilders já tentou e quer voltar a tentar tirar a Holanda da União Europeia à semelhança do que aconteceu no Reino Unido com o referendo de junho ao Brexit.