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“Se o México não quer pagar o muro, então é melhor cancelar a reunião marcada”

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É mais um tweet do Presidente dos EUA, em jeito de aviso ao seu homólogo mexicano, onde dá conta de que os norte-americanos não vão pagar o muro a construir na fronteira dos dois países. Mas é também uma ameaça a cancelar o encontro marcado entre os dois chefes de Estado

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O bate boca que os Presidente dos Estados Unidos e do México, Donald Trump e Enrique Peña Nieto, respetivamente, têm feito nas redes sociais e nos media por causa do muro que os EUA pretendem construir na fronteira entre os dois países voltou a subir de tom esta quinta-feira, com Trump a ameaçar cancelar a reunião que os dois chefes de Estado tinham agendada para o final do mês.

Tudo começou – de novo – com o líder dos Estados Unidos a assinar, esta quarta-feira, a ordem executiva que dá luz verde para a construção do muro e, consequentemente, ter voltado a reafirmar que, apesar da obra ser paga pelos país o valor da mesma será depois cobrado ao México. Peña Nieto respondeu pouco depois, em direto na televisão mexicana, voltando a dizer, já pela terceira vez, que não vai pagar nada.

"Já o disse uma e outra vez: o México não vai pagar por muro algum. Lamento e condeno a decisão dos Estados Unidos de continuar a construir um muro que, durante anos, nos tem dividido em vez de nos unir", disse em direto na televisão mexicana esta quarta-feira (madrugada de quinta em Portugal).

Mas Trump não desiste e esta manhã publicou dois tweets com um aviso e uma ameaça a Peña Nieto. "Os EUA têm um défice comercial com o México de 60 mil milhões de dólares (55,8 mil milhões de euros). Foi um acordo em que um lado saiu mais beneficiado com enormes números de empregos e empresas perdidas. Se o México não quer pagar o muro que é tão necessário, então é melhor cancelar a reunião marcada", escreveu.

Trump referia-se ao encontro que os dois Presidentes têm – por enquanto –marcado para o próximo dia 31, e que o México decidiu manter mesmo depois da ordem executiva do Presidente norte-americano e debaixo de vários pedidos da população para que a reunião fosse cancelada.

"O encontro entre os dois Presidentes em Washington, na próxima terça-feira, ainda está confirmado. Por agora vai para a frente", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do México Luis Videgaray. Mas isto foi na quarta-feira, antes dos tweets de Trump colocados esta manhã.

As outras medidas de Trump contra os imigrantes ilegais

Na quarta-feira, Trump assinou várias ordens executivas sobre imigração. Uma delas autoriza a construção do muro na fronteira dos EUA com o México – uma das bandeiras da campanha eleitoral e uma das medidas mais polémicas – ou seja, deu seis meses ao Departamento de Segurança Interna para planear a construção do muro que, inicialmente (pelo menos segundo a vontade de Trump) será financiado pelo Congresso norte-americano.

Outra medida aprovava a contratação de mais 10 mil funcionários para os serviços de imigração e de mais cinco mil agentes de controlo de fronteiras e outra ainda aprovava a publicação de uma lista semanal dos crimes cometidos por imigrantes.

"Para melhor informar o público acerca das ameaças à segurança, o secretário [da Defesa Nacional] deverá (...), numa base semanal, tornar pública uma lista exaustiva de ações criminosas cometidas por estrangeiros e as jurisdições que ignorem ou que, de qualquer outra forma, se escusem a honrar as detenções desses estrangeiros", indica o texto assinado por Trump, citado pela Lusa.

Tal como a construção do muro, também o combate à imigração ilegal foi uma das bandeiras da campanha de Trump que prometeu expulsar dos Estados Unidos “provavelmente dois ou três milhões" de ilegais, com e sem cadastro. Segundo avança a Lusa, as autoridades estimam que nos Estados Unidos existam cerca de 820 mil migrantes sem documentos e com cadastro.