Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“Já o disse uma e outra vez: o México não vai pagar pelo muro”

Mark Wilson

Com um discurso em direto na televisão, o Presidente mexicano reage à ordem executiva de Donald Trump para a construção “imediata” de uma “barreira física intransponível” na fronteira EUA-México, mas ignora pedidos para cancelar a sua visita oficial a Washington DC, marcada para 31 de janeiro

O México não vai pagar pelo muro na fronteira com os Estados Unidos, uma promessa de campanha de Donald Trump que esta quarta-feira ganhou contornos mais reais, após o novo Presidente norte-americano ter assinado um decreto para avançar "de imediato" com a construção de uma "barreira física instransponível" na fronteira sul do país.

Em direto na televisão mexicana, o Presidente mexicano Enrique Peña Nieto disse "lamentar" os planos do homólogo norte-americano, garantindo que "o México não acredita em muros" e que não vão ser os contribuintes do seu país a pagar a fatura como Trump diz.

"Já o disse uma e outra vez: o México não vai pagar por muro algum. Lamento e condeno a decisão dos Estados Unidos de continuar a construir um muro que, durante anos, nos tem dividido em vez de nos unir", disse Enrique Peña Nieto dirigindo-se à nação, sem no entanto aceder aos pedidos para que cancele a sua viagem oficial a Washington DC, marcada para 31 de janeiro, quando irá encontra-se novamente com Trump. "O México ofereceu a sua amizade ao povo americano e a sua vontade de alcançar acordos com o Governo [de Donald Trump]", acrescentou.

Luis Videgaray, o novo ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros, que está em Washington com uma delegação para se encontrar com uma equipa da administração Trump na Casa Branca, disse ao canal Televisa que Peña Nieto vai ainda analisar se mantém a visita oficial marcada para a próxima terça-feira, mas que "para já o encontro mantém-se".

Recorde-se que Videgaray, até há pouco tempo ministro das Finanças, demitiu-se desse cargo em setembro passado, uma semana depois de Donald Trump, então candidato republicano às presidenciais norte-americanas, ir até à Cidade do México, onde se encontrou com Nieto. Na altura, o Presidente mexicano foi duramente criticado por ter aceitado encontrar-se com um homem que, já então, prometia avançar com o prolongamento do muro na fronteira EUA-México.

À ABC News, Trump voltou esta quarta-feira a garantir que os mexicanos vão reembolsar, "absolutamente e a 100%", os EUA pela construção do muro. Para já, terá de ser o Congresso a aprovar o financiamento da estrutura ao longo dos 3200 quilómetros de fronteira, estimado em milhares de milhões de dólares.

Antes da entrevista ao canal norte-americano, Trump falou de uma "crise" no sul dos EUA ao assinar a ordem executiva numa cerimónia no Departamento de Segurança Nacional. Outra das mais recentes ordens do Presidente passa pela contratação de 10 mil funcionários de imigração para reforçar a segurança naquela fronteira. "Uma nação sem fronteiras não é uma nação. A partir de hoje, os Estados Unidos reaveem o controlo das suas fronteiras", disse.

Estas foram as primeiras de uma série de ordens executivas pré-anunciadas para esta semana, antecipando-se que esta quinta-feira Trump aprove mais restrições à imigração para os EUA de pessoas oriundas de sete países de maioria muçulmana no Médio Oriente e em África.

A BBC e outros media avançam que os países afetados serão a Síria, o Iraque, a Líbia, o Irão, o Sudão, a Somália e o Iémen, o que deverá pôr em causa os programas de acolhimento de refugiados que, às centenas de milhares, têm estado a fugir de conflitos armados nos seus países-natais.