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Internacional

EUA: Vários diplomatas do Departamento de Estado deixam o cargo

JOSHUA ROBERTS/REUTERS

Ao contrário do que aconteceu em anteriores transições de poder em Washington, a Casa Branca já aceitou as cartas de demissão destes diplomatas. Ocupavam cargos na administração das 13 divisões do Departamento de Estado, responsáveis por questões ligadas à política, segurança, entre outras

O Departamento de Estado norte-americano estará certamente diferente quando Rex Tillerson for confirmado pelo Senado como o novo Secretário de Estado. Vários altos funcionários vão deixar os seus cargos depois de terem apresentado as suas cartas de demissão na Casa Branca, na quarta-feira. Um dia depois, a administração Trump aceitou os seus pedidos e dispensou os funcionários.

Nos EUA, aquando da transição de Governo, a lei prevê que os antigos funcionários entreguem cartas de demissão, uma vez que o novo Presidente tem o direito de nomear a sua equipa, escreve o “The Washington Post”. No entanto, a maioria costuma ser reconduzida no mesmo cargo que estava a ocupar. Como explica o diário norte-americano, vários altos funcionários do Governo de Bush permaneceram também no de Obama. Assim, ao contrário do esperado, a administração Trump aceitou estas cartas de demissão e já pediu a dois funcionários que deixassem o cargo na sexta-feira.

De acordo com a CNN, são já conhecidos quatro nomes dos diplomatas que vão cessar as suas funções. Patrick Kennedy, que ocupava o cargo de subsecretário de Estado há já nove anos; Joyce Anne Barr, secretária de Estado adjunta para os Assuntos Consulares; Michele Bond, secretária de Estado adjunta para a Administração e o embaixador Gentry O. Smith, diretor para as Missões no Estrangeiro, foram já dispensados.

Mark Toner, porta-voz do Departamento de Estado, citado pelo “The Washington Post”, esclareceu que estes cargos “são de termo limitado” e que não é suposto que um alto funcionário “aceite uma nomeação política com a expectativa de que será ilimitada. Todos percebem que o Presidente pode substituí-los a qualquer altura”.

Ainda não se sabe quantas pessoas foram afetadas no total, nem quando serão dispensadas, mas oficiais do departamento, citados pelo jornal norte-americano, referiram que a Casa Branca aceitou vários pedidos de demissão esta semana.

Mark Toner explicou ainda que “dos funcionários cujas demissões foram aceites, alguns vão continuar a tratar das questões relacionadas com política externa, mas noutros cargos, enquanto outros se vão reformar por escolha ou porque excederam o limite de tempo de permanência em serviço”.

Durante a tarde desta quinta-feira, vários media sugeriram que se tratava de uma demissão em massa, mas oficiais do departamento salientaram que o que aconteceu “não foi nenhum protesto organizado nem nenhuma demonstração de indignação”.

Um ex-alto funcioário da administração Obama declarou que as saídas do Departamento de Estado configuravam uma “enorme fuga de cérebros” e que será uma experiência coletiva difícil de recuperar.

O Departamento de Estado dos EUA é um departamento federal executivo que aconselha o Presidente e regula as questões sobre política externa (funciona como o Ministério dos Negócios Estrangeiros). É chefiado pelo secretário de Estado, cargo para o qual Trump nomeou Rex Tillerson, ex-CEO da ExxonMobil.