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O alerta do diretor do “The Washington Post”: “A liberdade de expressão está em perigo”

Martin Baron, diretor do "The Washington Post"

Getty

O homem que dirige um dos mais conceituados jornais norte-americanos está muito preocupado com o impacto da administração Trump na atividade dos jornalistas e dos meios de comunicação social norte-americanos

O diretor do conceituado jornal norte-americano “The Washington Post” considerou esta terça-feira que “a liberdade de expressão está em perigo” agora que Donald Trump tomou posse como Presidente dos Estados Unidos.

“Estou muito preocupado porque os meios de comunicação desempenham um papel decisivo na democracia. Sem liberdade de expressão e sem liberdade de imprensa não existe democracia”, afirmou Martin Baron durante uma visita à Universidade de Navarra, em Espanha.

O diretor do Post sublinhou ainda a falta de credibilidade que atinge por estes dias os media do outro lado do Atlântico. Atualmente, apenas 32% dos norte-americanos dizem confiar nos meios de comunicação social contra 57% em 1999. “A confiança dos leitores nos jornalistas baixou muito, sobretudo durante a campanha eleitoral [para as presidenciais]. Houve muitos ataques contra os media por parte de todos os candidatos, sobretudo Donald Trump”, lembrou Martin Baron.

“Muitas pessoas não estão interessadas nos factos, querem apenas informações – chamemos-lhe assim – que estejam em linha com as suas opiniões preexistentes. É um grave problema social e também para a democracia. Podemos estar em desacordo com a análise dos factos, numa determinada solução para um problema, mas é fundamental que estejamos de acordo sobre os factos de base. Como poderá funcionar uma democracia onde os cidadãos não estejam de acordo sobre os factos básicos?”, pergunta o diretor do caso Watergate, que nos anos 70 do século passado levou a demissão do então Presidente Richard Nixon.

Para Baron , os media só põem seguir por um caminho: “Publicar a verdade e denunciar as mentiras dos políticos. Se o fizermos espero que a longo prazo as pessoas voltem a confiar em nós.”

O “The Washington Post” deverá contratar este ano 60 jornalistas reforçando, sobretudo, a secção de política nacional e criando uma nova equipa dedicada à investigação jornalística que rapidamente confirme as informações veiculadas nas declarações e comunicados da administração Trump.