Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Na luta contra o ébola, 13 milhões de euros desapareceram

Getty

Os trabalhadores na linha da frente, que desempenhavam funções de alto risco, não receberam o dinheiro prometido

Luís M. Faria

Jornalista

14 milhões de dólares (13 milhões de euros) angariados para lutar contra as devastações do ébola na Serra Leoa desapareceram. A informação foi confirmada por uma auditoria interna do país, a qual também constatou que cerca de quatro milhões de subsídios prometidos a quem lidava com situações de elevado risco nunca foram pagos.

O ébola é um vírus altamente contagioso. A mais recente epidemia teve lugar na África Ocidental. Começou na Guiné em finais de 2013 e rapidamente se espalhou a países vizinhos, entre ele a Serra Leoa. Só neste país, houve cerca de quatro mil vítimas mortais. Para arranjar gente para tarefas como o transporte e a lavagem dos cadáveres, foram prometidas somas mensais no equivalente a algumas centenas de euros a cada trabalhador. Os pagamentos atrasavam-se, como seria de esperar. Em muitos casos, porém, simplesmente não foram feitos.

Logo em 2014, os trabalhadores envolvidos em tarefas perigosas protestaram, chegando a retirar cadáveres da morgue no hospital de Kenema, colocando-os junto às entradas. Essa ação chamou a atenção das autoridades e do mundo, até por fazer recear bloqueios no combate à doença. Mas ninguém foi responsabilizado. Agora constata-se que o problema continua por resolver.

A auditora-geral do país admite que “houve um pequeno problema na implementação das nossas recomendações”. Ao que parece, a má gestão aconteceu a um nível mais profundo do que se julgava. O porta-voz da Presidência diz que os pagamentos começaram a ser feitos aos bocados, mas o representante de um grupo anticorrupção local acusa as autoridades de não procurarem o dinheiro desaparecido.

total, duzentos trabalhadores terão morrido. Muitos mais enfrentaram fome, exaustão e outras dificuldades durante a sua luta contra a epidemia. Porém, grande parte dos quase três mil milhões de euros angariados na altura foram destinados a agências ocidentais. Para quem se encontrava na linha da frente, restaram uns escassos 2% desse dinheiro.