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Justiça francesa investiga alegado emprego fictício da mulher de François Fillon

HORACIO VILLALOBOS/EPA

Os cargos que Penelope exerceu e que lhe terão rendido 500 mil euros brutos poderão ter sido criados pelo candidato às presidenciais francesas deste ano

A justiça francesa abriu esta quarta-feira um inquérito a alegações de que o candidato da direita às presidenciais, François Fillon, criou um emprego fictício para a mulher, pagando-lhe 500 mil euros de fundos parlamentares ao longo de oito anos.

Fillon, primeiro-ministro durante a Presidência de Nicolas Sarkozy (2007-2012), é um dos favoritos às presidenciais de abril e maio de 2017 e as sondagens colocam-no como provável adversário da líder da extrema-direita, Marine Le Pen, na segunda volta.

O inquérito, por "uso indevido de fundos públicos", foi desencadeado por uma notícia do jornal satírico "Le Canard Enchaîné" segundo a qual Penelope Fillon terá "recebido cerca de 500 mil euros brutos" em oito anos na qualidade de assessora parlamentar do marido, apesar de nunca ter exercido essas funções.

Segundo o semanário, que diz ter tido acesso aos recibos de vencimento de Penelope Fillon, o caso passou-se entre 1998 e 2002, quando Fillon foi deputado pela região de Sarthe (noroeste), de onde é natural. Penelope Fillon auferiu um salário mensal de 3.900 euros brutos até 2001 e de 4.600 euros brutos no ano seguinte.

Quando Fillon foi nomeado ministro em 2002 pelo Presidente Jacques Chirac, a mulher passou a ser assessora de Marc Joulaud, que substituiu o marido no parlamento. Segundo o "Canard Enchaîné", Penelope Fillon foi aumentada, passando a auferir entre 6.900 e 7.900 euros brutos por mês.

O jornal escreve que, nesse período, Penelope Fillon apresentava-se como doméstica e que não há memória de ter trabalhado na Assembleia Nacional. Cita, nomeadamente, uma assessora de Joulaud, que disse "nunca ter trabalhado" com ela e só a conhecer "como mulher de um ministro".

O semanário escreve ainda que François Fillon voltou a empregar a mulher quando foi deputado por Paris, por pelo menos seis meses em 2012, com uma remuneração de 4.600 euros.

Os deputados franceses podem contratar familiares, desde que estes exerçam efetivamente as funções pelas quais são remunerados. Fillon, que tem assentado a sua campanha na defesa da transparência, negou qualquer irregularidade e acusou o semanário de misoginia.

"Não vou comentar porque não há nada a comentar. Mas estou chocado com esta história desprezível e misógina. Só porque é minha mulher não devia poder trabalhar? Conseguem imaginar um político dizer, como diz esta história, que uma mulher só sabe fazer compotas? As feministas iam gritar", disse o candidato conservador durante uma visita a Bordéus (sudoeste).

Um porta-voz de Fillon, Philippe Vigier, insistiu horas antes que o emprego de Penelope Fillon não era fictício.

O candidato favorito às primárias da esquerda francesa, Benoit Hamon, propôs que os deputados deixem de poder empregar e remunerar familiares. "Os deputados deviam deixar de poder contratar os filhos, primos, mulheres ou outros familiares", disse Hamon.