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Internacional

Trégua na Síria tem três guardiões

Conferência de imprensa final das conversações de paz de Astana, esta terça-feira, no Cazaquistão

© Mukhtar Kholdorbekov / Reuters

Dois dias de diálogo na capital do Cazaquistão, envolvendo regime sírio e oposição armada, chegaram ao fim sem ruturas. Estão abertas as portas às conversações políticas, previstas para 8 de fevereiro, em Genebra

Margarida Mota

Jornalista

Turquia, Rússia e Irão puxaram dos galões e, esta terça-feira, após dois dias de conversações, em Astana, sobre a guerra na Síria, assumiram-se como os garantes do débil cessar-fogo que vigora em todo o país desde finais dezembro.

Num comunicado conjunto, os três países promotores do encontro — que reuniu o regime de Bashar al-Assad e grupos afetos à oposição armada — anunciaram o estabelecimento de “um mecanismo tripartido” destinado a “observar e a assegurar o total cumprimento do cessar-fogo, impedindo quaisquer provocações e determinando todas as modalidades de cessar-fogo”.

Regime sírio e oposição armada não assinaram qualquer declaração conjunta.

Presente na capital do Cazaquistão, Staffan de Mistura, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, considerou este mecanismo “uma grande conquista”, que poderá fazer a diferença na consolidação da trégua na Síria.

No terreno, russos e iranianos são aliados incondicionais do Governo de Bashar al-Assad, enquanto os turcos apoiam forças rebeldes. Em Astana, os três países expressaram-se convictos de que “não há uma solução militar para o conflito sírio”, o qual “só pode ser resolvido através de um processo político”.

Próxima paragem: Genebra

Ancara, Moscovo e Teerão afirmaram-se também “determinados em combater conjuntamente” o autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e a Jabhat Fatah al-Sham (ex- Frente al-Nusra), e “a separar deles grupos armados da oposição”. Daesh e Nusra não estão abrangidos pela trégua nem envolvidos nas negociações de paz.

O diálogo de Astana visou exclusivamente aspetos militares do conflito. A 8 de fevereiro, em Genebra (Suíça), regime e oposição voltam à mesa das negociações, desta feita numa iniciativa das Nações Unidas, para discutirem a dimensão política do conflito.

Em Astana, os Estados Unidos estiveram representados pelo seu embaixador no Cazaquistão, George Krol, no papel de observador. Nos dias que antecederam o encontro, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, disse que os EUA tinham sido convidados a estar presentes, mas logo o Irão apressou-se a contrariar esse cenário: “Nós não convidamos os EUA”, esclareceu o chefe da dipIomacia, Mohammad Javad Zarif. “E opomo-nos à sua presença.”