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Internacional

Os novos bombistas-suicidas do Boko Haram: mulheres com bebés às costas

PIUS UTOMI EKPEI/GETTY

À medida que o grupo islamita sofre derrotas no terreno, o seu uso de táticas extremas intensifica-se

Luís M. Faria

Jornalista

Mulheres com bebés às costas estão a ser usadas como bombistas-suicidas pelo Boko Haram, o grupo islamista nigeriano. O último caso reportado teve lugar em Madagali, no estado de Adamawa, no passado dia 13. Duas mulheres fizeram-se explodir no mercado local, matando várias pessoas. Outras duas que não levavam crianças foram paradas nos controles de entrada e detonaram lá mesmo as suas bombas. O mercado já tinha sido alvo de outro ataque sanguinário em dezembro.

A insurgência levada a cabo pelo Boko Haram (o nome significa "a educação é proibida", uma declaração explícita contra a cultura ocidental) dura há sete anos. O número de vítimas já anda pelos vinte mil, e as pessoas deslocadas ultrapassam os dois milhões. À medida que o grupo perde terreno, o recurso a táticas extremas torna-se cada vez mais frequente. Um exemplo notório dessas táticas é a utilização de mulheres suicidas, muitas das quais terão sido raptadas pelo Boko Haram.

Além das mulheres, o grupo também tem intensificado o uso de crianças como bombistas-suicidas. Com idades por vezes tão baixas como oito anos, os meninos com frequência estão drogados e não têm consciencia do que lhes vai acontecer. "É basicamente virar as crianças contra as suas próprias comunidades", explica Laurent Duviller, um representante de UNICEF. A organização afirma que, só em 2015, houve 44 casos desse tipo na África Ocidental.