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Confirmado. O homem do petróleo que é amigo de Putin e quer fazer frente à China vai chefiar a diplomacia dos EUA

ERIC PIERMONT / AFP / Getty Images

Rex Tillerson, texano de 64 anos e ex-CEO da ExxonMobil que Donald Trump escolheu para o cargo de secretário de Estado, esteve quase a ser chumbado por causa da sua proximidade ao governo russo de Vladimir Putin

O homem do petróleo Rex Tillerson, que Donald Trump escolheu para secretário de Estado da sua administração, vai mesmo chefiar a diplomacia norte-americana, depois de os 11 republicanos do Comité de Relações Externas do Senado terem aprovado a escolha, contra os chumbos dos dez democratas que integram o comité. O seu nome segue agora para o plenário do Senado, onde é esperado que a maioria republicana que controla a câmara dê o seu aval à escolha de Trump.

A votação decorreu esta segunda-feira ao final do dia, já noite em Lisboa, depois de o novo Presidente ter cumprido a promessa de campanha de suspender a Parceria Transpacífico (TPP), um acordo comercial alcançado pela administração de Barack Obama com onze países do Pacífico, incluindo a Austrália e o Japão. "Uma coisa ótima para o trabalhador americano aquilo que acabámos de fazer", declarou Trump ao assinar a ordem executiva que retira os EUA do acordo de livre comércio.

Também esta segunda-feira, o Senado de maioria republicana deu o seu aval a Mike Pompeo para chefiar a CIA. A primeira tarefa do novo diretor da agência federal passa por construir uma relação entre os funcionários da agência e o novo Presidente.

Durante a transição para a Casa Branca, Trump questionou as capacidades da comunidade de espionagem do seu país após a CIA lhe ter apresentado dois relatórios, um onde é revelado que há "indícios fortes" de que a Rússia esteve envolvida nos ciberataques ao Partido Democrata durante a campanha eleitoral para influenciar o resultado das eleições, e outro que contém informações reunidas por um ex-espião britânico com base em fontes russas sobre o governo de Vladimir Putin estar há vários anos a reunir material embaraçoso sobre o magnata de imobiliário tornado Presidente dos EUA.

Tillerson esteve quase a ser chumbado por causa das suas ligações próximas ao Presidente russo e à estatal petrolífera do arquirrival dos Estados Unidos, uma relação que Trump parece investido em alterar. Durante a audiência de confirmação, o senador republicano Marco Rubio, um dos homens que se candidatou contra Donald Trump nas primárias republicanas, alterou o seu voto depois de vários dias de oposição à escolha de Tillerson para chefiar a diplomacia. Apesar das ligações empresariais a Putin, Tillerson, texano de 64 anos que dirigiu a ExxonMobil, a maior petrolífera do mundo, criticou a anexação da península da Crimeia pelo governo de Putin em 2014, o que terá contribuído para que Rubio desse luz verde à sua nomeação.

Tradicionalmente, os nomeados para secretário de Estado recebem a aprovação em massa dos dois partidos, mas desta vez nenhum democrata deu o seu voto ao novo chefe da diplomacia – que, durante as audiências no Senado, sugeriu que pretende impedir a China de aceder às ilhas artificiais que tem estado a construir no disputado Mar do Sul da China. Pequim já avisou que a nova administração norte-americana está a comprar uma guerra e que "é melhor que os dois lados se preparem para um confronto militar" se Tillerson avançar com essa promessa.

Ben Cardin, um dos senadores do partido da oposição no Comité de Relações Externas, disse que não iria aprovar o nome por causa da alegada proximidade de Tillerson à Rússia de Putin, sugerindo que a sua "orientação empresarial" pode "comprometer a sua capacidade, enquanto secretário de Estado, para promover os valores e ideais que têm definido" a América. A maioria dos republicanos, pelo contrário, defende que o currículo do ex-CEO da ExxonMobil enquanto "empresário global" pode trazer uma nova perspetiva ao mais alto cargo diplomático dos EUA.

Também esta segunda-feira, numa reunião à porta fechada com os líderes do Congresso, o Presidente voltou a alimentar a ideia comprovadamente falsa de que foi castigado nas urnas por não haver legislação que impeça imigrantes clandestinos de votar nos EUA. Sem apresentar provas, Trump alegou, como já tinha feito no passado, que perdeu a votação popular para Hillary Clinton, obtendo menos três milhões de votos que a democrata, porque há "milhões" de imigrantes que votaram "ilegalmente".