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Internacional

China declarou “soberania indiscutível” no Mar do Sul da China

Navios militares chineses no Mar do Sul da China

STR/AFP/Getty Images

Porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chineses salientou que Pequim vai “permanecer firme na defesa dos seus direitos na região”

Depois das declarações do porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, na passada segunda-feira, em que garantiu que os Estados Unidos “vão proteger os seus interesses” no Mar do Sul da China, a resposta chinesa não tardou muito. Esta terça-feira, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, garantiu a China “tem a soberania incontestável das ilhas do Mar do Sul da China e as suas águas adjacentes”.

Algumas nações têm reclamado o território no Mar do Sul da China, que é rico em recursos, bem como uma importante rota de comércio, pela qual passa um terço do petróleo negociado internacionalmente.

Chunying referiu que a China estava “empenhada em negociações pacíficas com todos os países envolvidos” na disputa do território e referiu que o país “respeita os princípios de liberdade de navegação e sobrevoo em águas internacionais”. Não obstante, a porta-voz sublinha a ideia de que, para Pequim, os EUA “não são uma parte da problemática do Mar do Sul da China”.

E deixa ainda o aviso para que Washington tenha cuidado e evite “prejudicar a paz e a estabilidade no Mar do Sul da China”.

Os comentários de Spicer foram ao encontro dos do recém nomeado secretário de Estado de Donald Trump, Rex Tillerson, aprovado esta segunda-feira. Durante as suas audiências no Senado, Tillerson revelou que os EUA pretendiam impedir o acesso da China às suas ilhas artificiais no Mar do Sul da China.

Na sua primeira sessão de perguntas e respostas à imprensa, Spicer insinuou que a administração de Trump iria ter uma abordagem mais dura sobre esta matéria.

A grande questão, segundo o porta-voz, “é que se estas ilhas estão, de facto, em águas internacionais e não são propriedade da China, então é preciso garantir a defesa dos interesses internacionais e evitar a apropriação por outro país”, disse aos jornalistas. Spicer negou-se ainda a explicar que medidas em concreto podem vir a ser tomadas pelos Estados Unidos.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, Tillerson provocou os chineses ao comparar a construção das ilhas artificiais chinesas com a anexação ilegal da Crimeia por parte da Rússia, em 2014.

“Vamos enviar à China um sinal claro para que, em primeiro lugar, cessam a construção das ilhas e depois, vamos proibir o acesso às restantes”, disse ao Comité de Relações Estrangeiras do Senado norte-americano. Os chineses “estão a declarar controlo de territórios que legalmente não são deles”.

Contudo, por seu turno, Chunying garantiu que as ações chinesas “têm sido legais”, escreve a BBC.

Os media estatais chineses já haviam comentado este assunto, alertando que qualquer tentativa para impedir a China de ter acesso aos seus interesses na região, arriscava uma “guerra de larga escala”.

Nos últimos anos, Pequim construiu ilhas artificiais em arquipélagos reclamados, total ou parcialmente, pela China, Filipinas, Malásia, Taiwan, Vietname e Brunei.