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Internacional

Trump volta a mostrar que a sua presidência não vai ser igual às outras

Andrew Harrer-Pool/Getty Images

Na nova página da Casa Branca não há aquecimento global, gays ou versão em castelhano. Mas autoengrandecimento não falta

Luís M. Faria

Jornalista

A página da Casa Branca na internet mudou. Agora que o inquilino da Casa Branca é Donald Trump, deixou de haver uma versão em castelhano, desapareceram menções a políticas essenciais no tempo de Barack Obama – ou foram substituídas por rejeições explícitas de tais políticas – e o Presidente passa a ser descrito na linguagem de autoengrandecimento, antes impensável no site mas que já se tornou habitual em Trump.

Na secção "Issues" (Assuntos), encontramos uma secção intitulada "América First Energy Plan" (Plano de Energia América Primeiro). Pormenores sobre o dito plano não há, mas o texto diz: "O Presidente Trump está empenhado em eliminar políticas danosas e desnecessárias tais como o Plano de Ação Climática e a regra Águas dos EUA".

Despedir os gestores “corruptos e incompetentes”

Outras mudanças no site eram igualmente previsíveis. É eliminada a secção sobre direitos de gays e lésbicas, e os direitos civis deixam de ter direito a qualquer referência. Em contrapartida, a secção "Standing Up for Our Law Enforcament Community" (Defendendo a nossa comunidade policial) fala numa "perigosa atmosfera antipolícia", uma alusão óbvia a movimentos como o Blacks Lives Matter, que contestam as frequentes mortes de cidadãos negros às mãos da polícia em circunstâncias que não o justificam.

Em matéria de defesa, Trump promete acabar com as atuais restrições gerais de financiamento e "reconstruir" as forças armadas e desenvolver um sistema de defesa antimísseis para defender os EUA de ataques do Irão (com quem Obama fez um acordo que israelitas e Trump contestam) e da Coreia do Norte. E promete "despedir os executivos corruptos e incompetentes que desiludiram os nossos veteranos", o género de afirmação agressiva que é típica de um certo tipo de campanha, mas não é normal encontrar no site da Casa Branca.

Trump: “a própria definição” do sucesso

O mesmo tom ecoa nas secções sobre acordos comerciais e sobre política externa. Mas é o perfil deo novo Presidente, na secção "Administração", que reflete mais claramente o seu estilo pessoal. "Donald Trump é a própria definição da história de sucesso americana", diz o texto. "Ao longo da vida, ele estabeleceu continuamente os padrões de sucesso nos negócios e nas empresas, com os seus interesses no imobiliário, nos desportos e no entretenimento. Do mesmo modo, a sua entrada na política resultou na vitória presidencial, miraculosamente, na sua primeira candidatura a um cargo público".

A resenha profissional que se segue explica que "a assinatura Trump depressa se tornou sinónimo dos mais prestigiados endereços em Manhattan e, subsequentemente, no mundo. Como autor bem-sucedido, o Sr. Trump escreveu mais de 14 best-sellers e o seu primeiro livro, "The Art of The Deal", além de ser o livro número um do ano, é considerado um clássico dos negócios".

A seguir é a vez da campanha presidencial, descrita em termos igualmente laudatórios. Trump teve "a maior razia de um republicano no colégio eleitoral em 28 anos. Venceu em 2600 condados em todo o país, o maior número desde Ronald Reagan em 1984. Além disso, teve mais de 62 milhões de votos, mais do que qualquer outro candidato republicano. Conseguiu 306 votos eleitorais, mais do que qualquer republicano desde George H. W. Bush em 1988 (...). Fez campanha em locais onde sabia que os republicanos teriam dificuldade em vencer (...). É manifesto que a vitória do Presidente Trump juntou americanos de todos os backgrounds...".

Em suma, as eleições já foram mas a campanha continua.