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Internacional

Trump assina saída do Tratado Transpacífico

Ron Sachs / POOL /EPA

Donald Trump referiu que a retirada dos Estados Unidos do Tratado Transpacífico de Comércio Livre “é uma coisa boa para os trabalhadores norte-americanos”

O Presidente norte-americano, Donald Trump, formalizou esta segunda-feira a assinatura de uma ordem executiva para retirar a participação dos EUA do Tratado Transpacífico, um acordo comercial que abrange a Ásia e cuja assinatura custou vários anos ao seu antecessor, Barack Obama. A medida foi assinada durante um encontro que ocorreu na Casa Branca com empresários, para discutir a indústria de produção norte-americana.

Durante a campanha eleitoral, Donald Trump já havia criticado o tratado, qualificando-o de “terrível” e “contrário aos interesses” dos norte-americanos. Esta medida foi meramente simbólica: é pouco provável que seja aprovada pelo Congresso, escreve o “Washington Post”, mas serviu para assinalar que a nova administração de Trump vai cumprir com o que prometeu durante a campanha.

A decisão de Trump aponta para novas negociações no âmbito do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA em inglês), sublinha o jornal norte-americano. Durante a campanha eleitoral, o agora Presidente dos EUA prometeu reabrir o acordo assinado há 22 anos com o México e o Canadá e reiterou a sua ameaça de punir as empresas norte-americanas cujas fábricas se localizem fora dos EUA

Ao fazer com que as empresas regressem aos Estados Unidos, Trump põe fim à tentativa de maior internacionalização que existe desde o fim da Segunda Guerra Mundial. “O que queremos é o comércio justo”, disse Trump durante seu encontro com os executivos. “E vamos tratar os países de forma justa, mas eles também têm de nos tratar de forma justa.”

Entre os líderes empresariais com quem Trump se reuniu estão o presidente executivo da Dow Chemical, Andrew Liveris, que referiu, citado pelo “Washington Post”, que o novo Presidente norte-americano ordenou aos executivos que regressem daqui a 30 dias com um plano para fortalecer a indústria de produção. Acrescentou que há uma grande discussão em torno da ameaça de Trump de aumentar os impostos às companhias que produzam bens noutros países e posteriormente os importem para os EUA – uma proposta que está a marcar a política comercial de Trump. “O Presidente não vai fazer nada para prejudicar a competitividade. Na verdade, ele vai tornar-nos mais competitivos”, disse Liveris.

Ainda assim, não está claro de que forma o imposto vai ser implementado. Testemunhando perante o comité de finanças do Senado na semana passada, o nomeado de Trump para liderar o Departamento do Tesouro disse que qualquer imposto de fronteira será direcionado para negócios específicos. No entanto, o presidente não tem o poder de cobrar impostos, e especialistas em comércio internacional já advertiram que as empresas poderiam violar os tratados existentes.

“A saída do Tratado Transpacífico vai atrasar o crescimento económico dos EUA, com perda de empregos nos EUA e o enfraquecimento da posição dos EUA na Ásia e no mundo inteiro", salientou Richard Haas, presidente do Conselho de Relações Exteriores, via Twitter. “A China poderá muito bem vir a ser o principal beneficiário.”

O tratado em questão foi assinado em 2015 por 12 países da Ásia-Pacífico que representam 40% da economia mundial. Foi apresentado como um contrapeso à influência crescente da China, mas ainda não entrou em vigor.

Donald Trump tem criticado acordos internacionais da área do comércio e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, por considerar que são eles a causa da escassez de empregos na indústria.

Já Scott Paul, presidente da Aliança para a Manufactura Americana (AMM em inglês), referiu que o seu grupo espera a abertura do NAFTA pode proporcionar uma margem maior para combater a manipulação monetária em países fora do acordo. O seu grupo, que representa a indústria e os sindicatos, também está à procura de regras mais rígidas que ditem a quantidade de produção que deve ocorrer com os países-membros para estarem aptos a terem o status de livre comércio. De acordo com Paul, citado pelo “Washington Post”, a renegociação da NAFTA “envolve alguns riscos e algumas recompensas”, sendo que os “detalhes vão importar muito”.