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Internacional

Palestina e Jordânia discutem o que fazer perante plano dos EUA para transferir embaixada para Jerusalém

No sábado em Telavive, na marcha das mulheres e contra Donald Trump que teve lugar em várias outras cidades do mundo, foram avistados cartazes contra os planos de Trump e Netanyahu de mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém

JACK GUEZ

Fonte envolvida nas negociações entre o reino jordano e a Autoridade Palestiniana diz que rei Abdullah está preocupado que a decisão da administração Trump vá afetar a jurisdição jordana sobre locais sagrados da cidade e também resultar em “problemas internos” para o seu país

O presidente da Autoridade Palestiniana, o único organismo de representação dos palestinianos reconhecido pela comunidade internacional, encontrou-se este domingo com o rei da Jordânia em Amã para discutir eventuais reações ao plano da nova administração norte-americana de mudar a embaixada dos EUA em Israel, de Telavive para Jerusalém.

Este domingo, a Casa Branca de Donald Trump disse que o seu Governo está "nas primeiras fases de discussão" do plano para realojar a sua representação diplomática no Estado hebraico para a disputada cidade sagrada, que israelitas e palestinianos clamam como sua. No seguimento desse anúncio, Mahmoud Abbas foi à capital jordana encontrar-se com o rei Abdullah II.

De acordo com o jornal hebraico "Haaretz", citando uma fonte próxima desta negociação,depois do encontro o chefe da Autoridade Palestiniana disse que criou com o líder do reino da Jordânia uma lista de eventuais passos a serem dados se tal decisão for implementada pelos EUA. Para Abbas, a coordenação com a Jordânia é "essencial" numa altura em que o rei Abdullah se prepara para visitar Washington e Moscovo nas próximas semanas.

"Espero que a administração americana aja a dois níveis, em primeiro lugar que não discuta a mudança da embaixada para Jerusalém e em segundo que negoceie com os palestinianos e os israelitas para tentar alcançar um acordo político", terá dito Abbas no fim do encontro citado pela fonte palestiniana. "Este é o melhor contributo que os Estados Unidos podem dar."

A mesma fonte diz que a Jordânia está receosa quanto a qualquer decisão dos EUA sobre a sua embaixada em Israel, em parte porque teme perder a jurisdição sobre os locais sagrados muçulmanos naquela cidade. "O que preocupa os jordanos são as repercussões que tal decisão pode ter internamente na Jordânia, daí a importância de exercer pressão sobre os americanos e os russos."

Tanto a Autoridade Palestiniana como o reino jordano estão a antecipar um anúncio formal dos EUA nos próximos dias e querem ter um plano de ação preparado para reagir ao passo. De acordo com fontes citadas pelo Canal 2 israelita no domingo, a administração Trump vai formalizar a intenção já esta segunda-feira.

A possibilidade de a morada da embaixada norte-americana em Israel ser alterada para Jerusalém já tinha sido elevada durante a transição do novo Governo por fontes do Governo hebraico de Benjamin Netanyahu e também pelo homem que Donald Trump escolheu para dirigir aquela representação diplomática, David Friedman, que entre outras coisas defende a construção de colonatos israelitas nos territórios ocupados da Palestina, que a comunidade internacional diz serem ilegais.