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Londres tenta limitar danos com teste nuclear que terá corrido mal

Kirsty Wigglesworth / AFP / Getty Images

O gabinete da primeira-ministra britânica Theresa May “não confirma nem desmente” a notícia revelada este domingo que dá conta de que um dos mísseis disparados por um submarino tinha falhado o alvo

O gabinete da primeira-ministra britânica confirma que quando Theresa May assuniu o cargo foi informada sobre os resultados do teste nuclear efetuado ao sistema de dissuasão Trident, realizado em junho de 2016, ao largo da Florida, Estados Unidos, e que alegadamente terá corrido menos bem. O seu gabinete não confirma nem desmente a notícia revelada esta domingo pelo "The Sunday Times", que refere que um dos mísseis desarmados disparados por um submarino tinha falhado o alvo.

O jornal inglês cita um alto responsável da Marinha do Reino Unido, sob anonimato, que revela que o teste de um míssil nuclear Trident II D5, não armado "sofreu uma falha grave" ao largo da Florida, de onde tinha sido disparado pelo HMS Vengeance, um dos quatro submarinos nucleares britânicos, diz a fonte anónima ao jornal. O míssil terá saído do seu curso e sofrido uma inflexão, dirigindo-se aos Estados Unidos após o lançamento.

Esta manhã, a porta-voz de Theresa May limitou-se a acrescentar aos jornalistas que a primeira-ministra foi informada e que o Governo não discute detalhes operacionais dos testes realizados.

A oposição do Governo conservador está preocupada com o possível encobrimento deste episódio, uma vez que o Parlamento não foi informado dos resultados do teste antes do debate realizado em julho de 2016 sobre o investimento de 41 mil milhões de libras (47 mil milhões de euros) necessário para renovar o sistema de mísseis Trident.

Confrontada no domingo pela BBC, May recusou dizer se estava ou não a par do incidente quando os deputados aprovaram no Parlamento a renovação do programa dos quatro submarinos nucleares Trident.

"O fracasso desastroso do nosso primeiro teste nuclear em quatro anos trouxe um vento de pânico ao mais alto nível governamental e militar", relata a fonte anónima citada pelo "The Sunday Times". que adianta que o Governo britânico optou por "esconder" o incidente porque era sabido "como a informação seria prejudicial para a credibilidade da força de dissuasão nuclear se fosse do conhecimento público".

"É um erro verdadeiramente catastrófico quando um míssil se dirige para a direção errada", reagiu o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, antigo militante antinuclear.

Questionada pela BBC, a primeira-ministra Theresa May evitou responder e dizer se estava ou não a par do incidente quando os deputados votaram a favor da renovação do programa Trident. "Tenho toda a confiança nos nossos mísseis Trident", disse apenas a governante, acrescentando que os testes são realizados regularmente.

Um porta-voz do Ministério da Defesa confirmou este domingo que a "Marinha britânica realizou em junho um ensaio de rotina de lançamento de um míssil Trident não armado". O submarino "Vengeance e os seus equipamentos foram testados com sucesso. Temos confiança absoluta no nosso programa de dissuasão nuclear", acrescentou o porta-voz.

O Reino Unido é um dos três países da NATO que tem armamento nuclear, juntamente com a França e os Estados Unidos.