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Internacional

Começam conversações de paz para a Síria no Cazaquistão

Mini-cimeira de dois dias vai ter lugar no hotel Rixos President em Astana, capital do Cazaquistão

KIRILL KUDRYAVTSEV

Encontros organizados pela Rússia, a Turquia e o Irão deverão sentar à mesma mesa representantes do Governo de Bashar al-Assad e membros da oposição armada. A eles vai seguir-se mais uma cimeira mediada pela ONU em Genebra, marcada para 8 de fevereiro

Representantes do governo de Bashar al-Assad e de vários grupos rebeldes que lutam contra o Presidente sírio há quase seis anos vão encontrar-se esta segunda-feira em Astana, capital do Cazaquistão, para a primeira ronda de negociações de paz organizada pela Rússia, a Turquia e o Irão. As reuniões para tentar pôr fim à guerra civil que estalou em março de 2011 vão começar pelas 8h da manhã (hora de Lisboa) e deverão ter como prioridade consolidar o cessar-fogo que entrou em vigor em quase todo o território sírio a 30 de dezembro.

Esta é a primeira vez em seis anos que uma delegação composta exclusivamente por grupos da rebelião anti-Assad vai negociar com o governo de Assad. Mas para já, e de acordo com o vice-ministro cazaque dos Negócios Estrangeiros, Roman Vassilenko, os dois lados ainda não chegaram a um acordo para se encontrarem frente a frente. O correspondente da Al-Jazeera em Astana, Mohammed Jamjoon, diz que para já "ainda não se sabe se os dois lados vão estar na mesma sala sentados à mesma mesa". Isto porque "os rebeldes dizem que querem conversações frente a frente mas vão apresenta condições [para que esses encontros aconteçam] antes de aceitarem qualquer proposta, entre elas obter garantias de que alguns prisioneiros vão ser libertados e que será distribuída ajuda humanitária" no país.

O canal qatari avança que os encontros no Cazaquistão deverão estar concluídos pelo meio-dia de terça-feira, seguindo-se a eles conversações diplomáticas mediadas pela ONU em Genebra, na Suíça, marcadas para 8 de fevereiro. Especialistas dizem que a reunião de hoje em Astana pode redefinir a rota da sangrenta guerra que, em quase seis anos, já provocou meio milhão de mortos e 12 milhões de refugiados e deslocados internos, o correspondente a cerca de metade da população total da Síria antes da guerra. Se estes encontros correrem bem, parte da oposição armada a Bashar al-Assad pode vir a participar nas reuniões de Genebra. "As conversações em Astana não são uma alternativa às de Genebra no próximo mês, mas são um passo adicional", diz Vassilenko.

Aos jornalistas a bordo do avião que os levou até Astana, Bashar al-Jaafari, que lidera a delegação do regime Assad, disse este domingo que o grande objetivo dos encontros desta segunda e terça-feira é reforçar a trégua implementada no território sírio em dezembro. Jafaari tentou ainda minimizar ao máximo o papel da Turquia, que neste conflito se opôs sempre a Bashar al-Assad mas que agora está preocupada com as suas fronteiras e o reforço de poder regional do movimento curdo. "A Turquia está a violar a soberania síria portanto não existe qualquer diálogo sírio-turco", garantiu, referindo-se ao apoio dado pelo governo de Erdogan a grupos armados que lutam contra Assad no norte da Síria, na fronteira entre os dois países.

Fonte da delegação rebelde diz que o objetivo das reuniões de Astana é assegurar que o atual cessar-fogo é cumprido e continua em vigor e que o futuro do governo Assad não vai estar na agenda dos envolvidos. "Ninguém discutiu isto [o futuro de Assad]", disse à Al-Jazeera Yahya al-Aridi, porta-voz da delegação da oposição e conselheiro do Alto Comité para as Negociações. O Presidente sírio continua a representar uma "linha vermelha" para a oposição e não há "qualquer contexto" para a discussão do papel que Assad pode ou não vir a assumir numa eventual solução política, acrescentou a mesma fonte no domingo.

Apesar de a Turquia e a Rússia apoiarem lados opostos nesta guerra, com Moscovo e Teerão a representarem os dois grandes aliados internacionais do Presidente sírio, os países estão a trabalhar juntos há algumas semanas para tentarem encontrar uma solução que abra caminho ao fim da guerra civil. A nova administração norte-americana de Donald Trump foi convidada a participar nos encontros de Astana mas não enviou qualquer delegação e, de acordo com o Departamento de Estado, vai fazer-se representar pelo seu embaixador no Cazaquistão. Staffan de Mistura, enviado especial da ONU para a Síria, também estará presente no que classifica como uma "boa iniciativa", de acordo com a agência noticiosa russa. Fonte diplomática europeia diz que França e o Reino Unido também vão fazer-se representar pelos seus embaixadores na ex-nação soviética.