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Itália. Buscas por sobreviventes do hotel continuam

FILIPPO MONTEFORTE/GETTY

“Nós temos esperança. Mesmo sem há sinais de vida”, disse o porta-voz dos bombeiros da região

As buscas continuam este domingo no centro de Itália por sobreviventes do hotel atingido por uma avalanche, em condições muito difíceis para os socorristas, isto apesar de não terem sido sentidos novos sinais de vida.

Até agora, nove sobreviventes, incluindo quatro crianças, foram retirados entre dos escombros do hotel Rigopiano em Abruzzo, que ficou soterrado completamente na quarta-feira após desprendimento de neve de uma montanha da região dos Abruzos.

Além disso, as equipas de resgate encontraram cinco pessoas sem vida e para já não há qualquer sinal dos 23 adultos ainda desaparecidos.

"Nós temos esperança. Mesmo sem há sinais de vida, podemos cavar através de uma parede e de repente haver contacto, que foi o que aconteceu com os outros sobreviventes," disse à agência France Presse Luca Cari, porta-voz dos bombeiros.

O responsável afirmou que havia um muro de rochas atrás do hotel e que a avalanche passou lateralmente, destruindo o edifício nas laterais e não na parte de trás, pelo que os socorristas ainda não perderam esperança de que poderá haver sobreviventes nessa zona do hotel.

"O problema é alcançá-los. Não temos muito espaço de manobra, os buracos são estreitos e é preciso perfurar paredes muito grossas", explicou.

Um paramédico de 34 anos, Alessandro Massa, disse que há equipas esgotadas, que não dormem há dias mas que continuam positivos.

No frio, neve e neblina, e sob a ameaça de mais avalanches, os socorristas estão a mover-se muito lentamente, com medo de deslizamentos de terra no hotel enterrado sob toneladas de neve e detritos.

Na Praça de São Pedro, o Papa Francisco rezou esta manhã pelas vítimas e as suas famílias, e destacou a "grande generosidade" das operações de salvamento e socorro.
Após a avalanche, os socorristas cavaram mais de 24 horas perante um silêncio de morte antes de se aperceberem dos primeiros sobreviventes.

Três crianças entre os seis e nove anos, Ludovica, Eduardo e Samuel, sobreviveram milagrosamente sobreviveram na sala de bilhar, onde estavam isolados no escurso mas ao alcance da voz da mãe de Ludovica. Eles encontraram garrafas de água e porções individuais de Nutella que beberam e comeram enquanto aguardavam o resgate.

Infelizmente, Ludovica reencontrou a família no hospital, nas Eduardo e Samuel não. Os pais de Eduardo morreram e os de Samuel ainda não foram encontrados.

Todos os trabalhadores do resgate usam transmissores para serem encontrados o mais rápidamente possível uma vez que o risco de avalanche é muito elevado em toda a região central da Itália.

A região sofreu no início da semana uma queda de neve histórica, que deixou centenas de moradores de aldeias isolados, enquanto uma série de sismos fortes na quarta-feira reaviveu novamente o trauma dos terramotos mais poderosos agosto e outubro e levou à tragédia no hotel.

Mais de 8.300 pessoas foram mobilizadas em toda a região "em circunstâncias extremas" para evacuar as áreas de risco, fornecer alimentos e medicamentos e reparar linhas elétricas.

Mas hoje continua a ser impossível usar helicópteros por causa do mau tempo, disse a proteção civil, que também alerta para o risco de inundações nos próximos dias nas planícies com o derretimento de parte da neve.