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França. Benoît Hamon vence primeira volta das primárias da esquerda

FRANCOIS GUILLOT/GETTY IMAGES

Resultados provisórios apontam para uma vitória de Benoît Hamon, antigo ministro da Educação, com 35,2% dos votos. Manuel Valls aparece em segundo, com cerca de 31% dos votos. Os dois candidatos passam à segunda volta, que se realiza daqui a uma semana.

Helena Bento

Jornalista

Benoît Hamon lidera neste momento a corrida da esquerda às eleições presidenciais, seguido do ex-primeiro-ministro Manuel Valls. Resultados provisórios da primeira volta das primárias da esquerda francesa, que se realizou este domingo, apontam para uma vitória do antigo ministro da Educação com 35,2% dos votos.

Os resultados, disse Hamon, antigo-ministro da Educação, citado pelo britânico “Guardian”, “transmitem uma mensagem clara de esperança e de renovação” e mostram que ele pode vir a “reescrever uma página da história da esquerda francesa e de França”.

Valls, que decidiu entrar na corrida depois do impopular presidente François Hollande ter anunciado que não se recandidataria ao cargo nas próximas eleições, aparece em segundo, com cerca de 31% dos votos. Os dois candidatos passam à segunda volta, que se realiza daqui a uma semana, a 29 de janeiro.

Excluído da corrida fica o ex-ministro Arnaud de Montebourg, que terá ficado em terceiro lugar e obtido menos de 20% dos votos. Arnaud de Montebourg já reconheceu a derrota e anunciou que vai votar em Benoît Hamon na segunda volta. “No próximo domingo, votarei Benoît Hamon, e convido-os a fazer o mesmo”, disse.

Benoît Hamon foi ministro da Educação entre abril de 2014 e agosto de 2014 (deixou o cargo no Governo depois de entrar em ruptura com Hollande e Valls). Antes disso, integrou o grupo socialista no Parlamento Europeu entre 2004 e 2009. É o candidato socialista às presidenciais com um programa mais à esquerda (Valls, por seu lado, representa a ala mais à direita), defendendo a criação de um rendimento universal em França no valor de 750 euros e a redução do horário laboral de 35 para 32 horas semanais, entre outras medidas.

Quando estalou a polémica em torno do uso do burkini nas praias de algumas cidades francesas, Benoît Hamon foi uma das vozes mais ativas pela defesa do uso do fato-de-banho integral, enquanto que Manuel Valls demonstrou o seu apoio às ordens de proibição, tendo inclusive dito que a França está presa numa “batalha de culturas” e que o burkini simboliza a “escravização da mulher”.

Acusado pelos seus opositores de ser um “sonhador utópico”, Benoît Hamon tem atraído grandes multidões e a sua prestação nos debates que antecederam esta primeira volta das primárias da esquerda foi muito elogiada.

As eleições presidenciais francesas realizam-se em duas voltas, a primeira em abril e a segunda em maio. Uma sondagem publicada recentemente pelo jornal “Le Monde” confirma a consolidação de Marine le Pen à frente de François Fillon - o candidato da direita que venceu Alain Juppé nas primárias do ano passado -, e de Emmanuel Macron, o ex-ministro da Economia de Manuel Valls, na primeira volta das presidenciais.

O presidente da Alta Autoridade das Primárias estima que entre 1,5 e dois milhões de pessoas tenham votado este domingo, números que contrastam com os mais de quatro milhões que se deslocaram às urnas para as primárias da direita, em novembro passado.

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