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As “boas-vindas” a Trump e a construção de mais colonatos em Jerusalém

Lior Mizrahi

O município israelita de Jerusalém deu luz verde à construção de 566 habitações em três bairros de Jerusalém Oriental. Donald Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, vão falar este domingo à noite por telefone

Helena Bento

Jornalista

O município de Jerusalém aprovou a construção de 566 novos colonatos na zona ocupada de Jerusalém Leste, de acordo com o presidente da comissão da construção e planeamento do município de Jerusalém, Meir Turjeman, citado pela agência de notícias France Presse.

As licenças de construção para estas habitações, que vão ser erguidas nos bairros de Pisgat Zeev, Ramot e Ramat, tinham ficado congeladas no final de dezembro a pedido do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. Mas com “a chegada de Donald Trump à Casa Branca, as regras do jogo mudaram”, afirmou o presidente da Câmara adjunto de Jerusalém, Meir Turjeman, citado pela Al-Jazeera. “Já não temos as mãos atadas como tínhamos no tempo de Barack Obama. Agora, podemos finalmente construir”, acrescentou Turjeman, garantindo que estas 566 casas “são apenas o começo” e que os planos para a construção de 11.000 habitações aguardam apenas autorizações.

Num vídeo divulgado após a tomada de posse de Donald Trump, o presidente da Câmara de Jerusalém, Nir Barkat, dá as boas-vindas ao novo presidente dos EUA. “Durante os últimos oito anos, a administração Obama pressionou-nos para congelar a construção, rendeu-se aos iranianos e ao islamismo radical e abandonou Israel a uma resolução da ONU hostil”. No vídeo, Nir Barkat encoraja ainda os israelitas a assinar uma carta a pedir a Trump para cumprir a sua promessa de transferir a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém. “Vamos tornar a relação dos EUA com Israel grande de novo”, diz. De acordo com um porta-voz seu, Avi Lerner, já foram reunidas mais de 10 mil assinaturas nas primeiras seis horas. Lerner esclareceu ainda que o vídeo não pretende constituir um “ataque pessoal contra Obama”, mas “contra as suas políticas”, que o presidente da Câmara considera “injustas para com Israel”.

A transferência da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém tem sido encarada com grande preocupação por parte dos líderes palestinianos. Nikki Haley, que foi escolhida por Trump para o cargo de embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, já disse apoiar “de forma absoluta” a medida, mas o general aposentado James Mattis, cuja nomeação para o cargo de secretário da Defesa norte-americana foi aprovada pelo Senado no mesmo dia da tomada de posse, na sequência de um decreto assinado por Trump já enquanto Presidente dos EUA, considera que Telavive, e não Jerusalém, é a capital de facto de Israel. Os aliados dos Estados Unidos no Médio Oriente têm alertado Trump para as “consequências catastróficas” da iniciativa de transferir a embaixada, refere o “Washington Post”.

Noutras declarações, citadas pelo britânico “The Guardian”, o presidente da Câmara Nir Barkat reforça a ideia de que nos últimos oito anos os Estados Unidos pressionaram Israel para não avançar com a construção de mais colonatos, mas que com a saída de Obama isso pode ter “chegado ao fim”. “O município não tem planos congelados, mas muitas vezes não obtivemos a aprovação do Governo por causa da pressão americana”.

Em dezembro do ano passado, o conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução a exigir que “Israel cesse imediatamente e completamente todas as atividades de colonização [os colonatos] no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Ocidental”, resolução essa que contou com a abstenção inédita dos EUA, que até então tinham vetado todas as propostas que visavam condenar Israel por causa da sua política para os territórios palestinianos.

Ao mesmo tempo, a ala direita do Governo está a pressionar Netanyahu para a anexação de Maale Adumim, um território ocupado na Cisjordânia. Segundo um projeto de lei apresentado por dois membros da maioria - e que deverá ser discutido este domingo pelo gabinete de segurança, diz a agência Lusa - Israel anexaria Maale Adumim, território localizado a leste de Jerusalém e fundado em 1975, assim como uma área que liga esta colónia a Jerusalém. Se isso acontecer, a Cisjordânia ficará dividida em duas, tornando praticamente inviável a criação de um Estado da Palestina, com uma continuidade geográfica.

Trump e Netanyahu vão falar hoje à noite

Benjamin Netanyahu anunciou que falará este domingo à noite ao telefone com Donald Trump sobre a Síria, os palestinianos e a ameaça iraniana. “Hoje à noite, terei uma conversa telefónica com o presidente Trump sobre os temas relacionados com os palestinianos, a situação na Síria e a ameaça iraniana", disse Netanyahu, cujas afirmações, feitas no Conselho de Ministros, foram transmitidas pela rádio pública.

Esta será a primeira vez que os dois governantes vão falar após o juramento de Trump como o 45º Presidente dos EUA, na sexta-feira. No dia da tomada de posse, numa mensagem publicada no Facebook e no Twitter, o primeiro-ministro israelita felicitou Trump, com quem “deseja trabalhar para fazer a aliança entre Israel e os EUA mais forte do que nunca”. Netanyahu espera melhorar as relações com a nova administração norte-americana, depois de uma relação marcada por avanços e recuos com o anterior governo de Barack Obama, devido, sobretudo, às diferenças de opinião dos dois líderes no que diz respeito à construção de colonatos.