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Alberto da Ponte lembrado como um “excelente motivador de equipas”

Antigos diretores da RTP recordam o “grande” homem e “acérrimo defensor de resultados” que faleceu este sábado aos 64 anos

Antigos diretores da RTP, José Manuel Portugal e Luís Marinho, lembram Alberto da Ponte, que morreu no sábado, como "uma grande pessoa", "um excelente motivador de equipas" e um "homem competitivo, acérrimo defensor de bons resultados".

Presidente da RTP entre 2012 e 2015 e empresário, Alberto da Ponte morreu no sábado aos 64 anos, vítima de cancro.

Hoje é lembrado pelo antigo diretor de informação da RTP José Manuel Portugal com quem trabalhou na estação de televisão como "a grande pessoa que foi", pelo "seu papel fundamental na RTP e os excelentes resultados que obteve".

"Era um homem muito competitivo e um defensor acérrimo dos melhores resultados. Penso que a história lhe fará justiça por ter sido o homem que evitou a privatização ou a concessão do serviço público da radiotelevisão", disse José Manuel Portugal, em declarações à Lusa, sublinhando "a grande honra" que tem em ter trabalhado com Alberto da Ponte.

Também o antigo diretor geral de conteúdos Luís Marinho lembra que conheceu Alberto da Ponte na sua vida profissional, tendo vindo a estabelecer "uma relação profissional muito próxima" que se transformou "numa boa amizade".

"Tinha um grande profissionalismo e competência como gestor, uma grande exigência face aos resultados e uma grande dedicação à empresa. Viveu sempre a empresa e sabia bem estabelecer metas. Uma das suas maiores características era a facilidade com que motivava as equipas", frisu Luís Marinho.
O antigo diretor geral de conteúdos lembrou ainda que Alberto da Ponte "tentou que a RTP fosse uma empresa moderna e aberta, com menos direções e uma gestão horizontal" e que "conseguiu resultados quer na televisão quer na radio".

"Era um amigo e sinto muita pena e saudade", disse.

Alberto da Ponte foi presidente do Conselho de Administração da RTP entre 2012 e 2015, depois de ter sido nomeado para o cargo pelo ministro da tutela de então, Miguel Relvas.

À frente da RTP passou por algumas polémicas como o despedimento do então diretor de informação Nuno Santos, no âmbito do inquérito interno ao visionamento de imagens em bruto da manifestação de 14 de novembro de 2012 pela PSP, nas instalações da empresa.

Mais tarde, em 2015 viria a renunciar ao cargo, decisão que foi anunciada pela tutela do ministro Miguel Poiares Maduro, que elogiava a "boa gestão" da equipa liderada por Alberto da Ponte, após a entrega do relatório das contas de 2014.

Pouco tempo antes, o Conselho Geral Independente (CGI), órgão de supervisão criado pelo ministro Poiares Maduro, tinha proposto a destituição da equipa de Alberto da Ponte, depois de ter chumbado o Projeto Estratégico apresentado pelo gestor.

A administração da RTP acusou o CGI de ter agido segundo "uma pura lógica de apparatchik' [aparelho]" e afirmou não ter "a menor intenção de permanecer nas suas funções contra o desejo do acionista da RTP".

Alberto da Ponte foi também presidente executivo da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC), dona da cerveja Sagres e da Água do Luso, entre 2004 e 2012.

Licenciado em Ciências Económicas e Financeiras pelo ISEG e com um curso superior na mesma área na Harvard Business School em Boston, nos Estados Unidos, o empresário passou também por empresas como a Jerónimo Martins e a Unilever.

Alberto da Ponte presidia atualmente a mesa da assembleia-geral da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, onde desempenhava funções de consultoria.

Não existem ainda informações sobre as cerimónias fúnebres.