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Jammeh declara que vai ceder o poder na Gâmbia ao fim de 22 anos

Ex-Presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh

Thierry Gouegnon / Reuters

O candidato derrotado nas presidenciais de 1 de dezembro vai finalmente ceder o poder ao novo chefe de Estado, Adama Barrow, que prestou juramento na quinta-feira

O ex-presidente e candidato derrotado das eleições na Gâmbia, Yahya Jammeh, anunciou esta sexta-feira na televisão estatal que vai ceder o poder, após negociações até à última hora com mediadores e sob a ameaça de uma intervenção militar regional.

“Decidi hoje, em consciência, deixar a liderança desta grande nação”, afirmou Jammeh, numa breve declaração ao país, transmitida pela televisão do Estado, manifestando a sua “infinita gratidão” para com o povo.

Yahya Jammeh garantiu que a decisão - após semanas de impasse - foi apenas sua, apesar da imensa pressão exercida por parte de líderes regionais para ceder o poder a Adama Barrow, que venceu as eleições presidenciais de 1 de dezembro.

“A minha decisão de hoje não foi impulsionada por outra coisa que não o interesse supremo do povo gambiano e do nosso querido país”, sublinhou Jammeh.

“Numa altura em que assistimos a problemas e medos em outras partes de África e do mundo, a paz e a segurança da Gâmbia é a nossa herança coletiva que devemos zelosamente proteger e defender”, realçou.

Jammeh, que esteve 22 anos no poder, a que acedeu através de um golpe de Estado, propôs-se a abandonar a presidência do país logo após a vitória eleitoral do adversário, Adama Barrow, mas depois mudou de ideias.

Inicialmente, aceitou a derrota no escrutínio de 1 de dezembro e felicitou publicamente o vencedor, Adama Barrow, candidato da oposição coligada, mas depois viria a ordenar ao exército que invadisse a sede da comissão eleitoral, contestando os resultados eleitorais junto do Supremo Tribunal.

O chefe das Forças Armadas gambianas jurou, contudo, lealdade ao novo chefe de Estado e declarou que os militares gambianos não tinham intenção de entrar em conflito.

Os líderes da Guiné-Conacri e da Mauritânia chegaram na sexta-feira de manhã à Gâmbia para persuadir Jammeh a ceder o poder no país da África Ocidental, enquanto uma força militar regional aguardava já ordens para entrar na capital e obrigá-lo a abandonar o gabinete.

Barrow, eleito Presidente em dezembro, prestou juramento na quinta-feira e o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade a intervenção da força militar regional.

A cerimónia de posse realizou-se na embaixada gambiana no vizinho Senegal, para garantir a segurança do novo chefe de Estado.

Yahya Jammeh chegou ao poder através de um golpe de Estado em 1994 e é acusado de graves violações dos direitos humanos, entre as quais detenções arbitrárias, tortura e assassínio de opositores no pequeno país de 1,9 milhões de habitantes.