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Trump promete “América primeiro” em discurso inaugural

CARLOS BARRIA/ Reuters

Deste dia em diante, será América primeiro, América primeiro”, disse no discurso, feito em frente ao Capitólio. E enunciou “duas regras simples”: “comprar americano e contratar americano”

O presidente dos EUA, Donald J. Trump, disse esta sexta-feira no seu discurso inaugural que cada decisão tomada durante o seu mandato "será feita para proteger os trabalhadores americanos e as famílias americanas".

"[Esta] proteção levará a grande prosperidade e força. Vou lutar por vocês (...) e nunca vos vou desiludir. A América vai começar a ganhar de novo, a ganhar como nunca antes. Vamos trazer de volta empregos. Vamos trazer de volta fronteiras. Vamos trazer de volta riqueza. E vamos trazer de volta os nossos sonhos", disse o republicano.

No discurso, feito em frente ao Capitólio, o republicano declarou que, "deste dia em diante, será América primeiro, América primeiro" e descreveu "duas regras simples": "Comprar americano e contratar americano".

"América primeiro" não é uma frase original. Foi usada por Charles Lindbergh e por um grupo a que o aviador pertenceu durante a segunda Guerra Mundial que era conhecido pela sua ideologia nativista e isolacionista.

Donald Trump disse, no entanto, que a sua posse não significa apenas "transferir o poder de um partido para o outro".

"Estamos a transferir o poder de Washington, D.C., e a devolvê-lo a vocês, o povo", disse, explicando que a classe dominante geriu o país tendo em conta apenas os seus interesses e "as pessoas pagaram os custos."

"A classe estabelecida protegeu-se a si mesma, mas não os cidadãos do nosso país. As suas vitórias não têm sido as vossas vitórias. Os seus triunfos não têm sido os vossos triunfos", explicou, garantindo que "esta carnificina americana para aqui e para agora".

"Tudo isso muda aqui e agora. Este momento é o vosso momento e pertence-vos", acrescentou.

"Nós, os cidadãos da América, juntamo-nos agora num grande esforço nacional para reconstruir o nosso país e restaurar a sua promessa para todos. Juntos, vamos determinar o rumo da América e do mundo por muitos, muitos anos", garantiu.

Donald Trump, que venceu a eleição no colégio eleitoral, mas teve menos votos do que a adversária Hillary Clinton, disse que "dezenas de milhões se juntaram a um movimento histórico que o mundo nunca vira" e que essas "mulheres e homens esquecidos do país não serão mais esquecidos".

As taxas de aprovação de Trump têm descido desde a sua eleição, mas o discurso incluiu poucas referências a uma tentativa de unir o país.

A única referência às minorias, que na sua grande maioria apoiam os democratas, foi quando explicou que pessoas de todas as cores se sacrificam pelo país.

"Quer sejamos pretos, castanhos ou brancos, todos sangramos o mesmo sangue vermelho dos patriotas", disse, acrescentando: "Quando a América está unida, a América é totalmente imparável".

Trump tem sido muito criticado por usar o medo das pessoas para fins populistas, mas neste discurso garantiu não haver razões para temer.

"Não deve haver medo. Estamos protegidos e estaremos sempre protegidos [pelas forças da lei e militares] ... e o mais importante, seremos protegidos por Deus", explicou.

Quanto à presença americana no mundo, Trump disse que os Estados Unidos não vão impor seu estilo de vida a ninguém, mas vão "brilhar para que todos possam seguir" e que a sua administração vai erradicar "completamente da face da Terra" o "terrorismo radical islâmico".

Trump disse que "o tempo para conversas vazias acabou, agora chega a hora da ação" e terminou com uma adaptação do seu slogan de campanha.

"Vamos fazer a América forte de novo. Vamos fazer a América rica de novo. Vamos fazer a América orgulhosa outra vez. E, sim, juntos, faremos a América grande de novo", concluiu.

Barack Obama cumprimentou Trump no final do discurso, dizendo "bom trabalho".
Donald Trump é, desde o primeiro presidente dos EUA, George Washington, em 1789, o primeiro presidente dos EUA sem experiência política ou militar.

Na tomada de posse, estavam presentes os ex-presidentes Jimmy Carter, George W. Bush e Bill Clinton, acompanhado da mulher e ex-candidata presidencial dos democratas, Hillary Clinton.