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Trump é um “aprendiz de ditador” que vai falhar, diz George Soros

Peter Foley / Getty Images

Foi na reunião anual do Forum Económico Mundial, em Davos, que o bilionário húngaro de 86 anos se pronunciou sobre o novo Presidente eleito dos Estados Unidos, menos de 24 horas antes da sua tomada de posse. "As ideias que o guiam são inerentemente contraditórias", sentenciou. Mas vai abalar o mundo

Donald Trump é um "aprendiz de ditador" e está "destinado a falhar". E Teresa May não permanecerá no poder após o Brexit, um "divórcio que levará muito tempo" e que pode mesmo acabar num novo casamento. As palavras e o tom contundente pertencem a George Soros, o bilionário húngaro e investidor de 86 anos. E o local onde foram ditas é o Forum Económico Mundial, a decorrer em Davos, na Suíça, desde terça-feira.

"Descrevo Donald Trump como um impostor, um vigarista e um aprendiz de ditador, a posicionar-se para uma guerra de mercados que terá um efeito a longo prazo na Europa e noutras partes do mundo", disse Soros, que foi apoiante de HIllary Clinton na campanha eleitoral, doando mais de dez milhões de dólares (9,4 nilhões de euros). "Mas eu pessoalmente tenho confiança de que vai falhar, porque as ideias que o guiam são inerentemente contraditórias", acrescentou na noite desta quinta-feira, a menos de 24 horas da tomada de posse de Trump como 45.º Presidente dos Estados Unidos.

Para o húngaro, "é impossível saber como Trump será [na Casa Branca], porque ele não esperava vencer e só quando o conseguiu começou a pensar no que fará". Porém, é expectável que a incerteza gerada pela administração Trump provoque o abalo dos mercados financeiros.

Após um 2016 desastroso, o futuro é de penumbra

Soros também pressagiou um "futuro sombrio" para uma Europa recém-saída de um "desastroso 2016", que se tornou "demasiado complicado" e onde a alienação das pessoas deu força aos partidos antieuropeus. Essa alienação inclui o Brexit, sobre o qual o bilionário não deixou de se pronunciar. Segundo ele, Teresa May "dificilmente irá ficar no poder", uma vez que tem um gabinete dividido e uma frágil maioria parlamentar. "Ela não vai durar", sentenciou.

Mas não só. Se conseguir uma saída limpa da União Europeia se afigura difícil para o Reino Unido, as verdadeiras consequências internas da rutura ainda estão para vir. "Neste momento, os ingleses estão em negação. A situação económica atual não é tão má como foi previsto e eles vivem com esperança. Mas à medida que a moeda desvalorizar e a inflação se torne na força motriz, isto levará ao declínio do nível de vida", antevê. Para Soros, "é muito mais difícil divorciar-se do que casar-se" e, neste caso, o divórcio da Europa "irá levar muito tempo" – prevendo que só aconteça em 2019 ou 2020.

Isto poderá conduzir a "um desejo de reaproximação" e a uma situação "em que o Reino Unido deixe a Europa numa sexta, porque tal tem de acontecer, mas tenha um novo acordo em cima da mesa na segunda de manhã".