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Notícias falsas não determinaram eleição de Trump

JUSTIN LANE/EPA

A conclusão vem num estudo realizado por dois economistas

Luís M. Faria

Jornalista

Afinal, as notícias falsas não influenciaram o resultado da eleição presidencial nos EUA. É a conclusão de um estudo realizado por dois economistas, Matthew Gentzkow (Stanford University) e Hunt Allcott (New York University), e que será publicado na próxima segunda feira pelo Poynter Institute, um respeitado centro académico na área dos media.

"Um leitor do nosso estudo poderá razoavelmente dizer, baseado nos factos que apresentamos, que é pouco provável as notícias falsas terem virado a eleição". Mas Gentzkow avisa que "essa conclusão depende do que os leitores pensam ser um padrão razoável para a capacidade persuasiva de uma notícia falsa em concreto", e acrescenta o óbvio: "Há muitas peças neste puzzle".

A investigação decorreu em várias linhas paralelas. Em primeiro lugar, determinou-se quantas notícias em sites informativos foram acedidas a partir dos social media. Ao que parece, a percentagem ficou pelos 14%. "Os social media foram uma fonte importante mas não dominante", conclui o estudo. O principal media em termos informativos continua a ser, por larga margem, a televisão.

A seguir, apurou-se quais as notícias falsas mais vistas. As de tendência pró-Trump eram quatro vezes mais do que as pró-Clinton. Tiveram 30 milhões de partilhas, mas ainda assim foram vistas apenas por uma pequena fração dos americanos, segundo o estudo. Entre os que as viram, apenas metade acreditou nelas. As pessoas tinham geralmente dificuldade em recordar histórias concretas, e a percentagem de votantes que se deixou influenciar por elas foi ínfima. Para ter esse efeito, uma história precisaria de ter um efeito persuasivo superior ao de 36 anúncios televisivos, o que dificilmente poderia acontecer.

O estudo incluiu um inquérito online a 1200 votantes, mas ele próprio refere algumas reservas em relação à fiabilidade última dos resultados. Por exemplo, nem sempre é preciso recordar uma história em concreto para ela nos influenciar. E não se põe em dúvida que os social media contribuem para reforçar a polarização política já bastante acentuada no país. Apenas acontece que esse efeito não é tão extremo como alguns proeminentes analistas e comentadores julgavam.