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Internacional

Tribunal sul-coreano rejeita emitir mandado de captura contra presidente da Samsung

Chung Sung-Jun

Juiz considera não haver provas suficientes para justificar “uma detenção nesta fase” da investigação relacionada com a Presidente da Coreia do Sul, que foi afastada do poder pelo Parlamento há um mês

O pedido da procuradoria sul-coreana para que fosse emitido um mandado de captura contra Lee Jae-yong por suspeitas de corrupção, fraude e falso testemunho foi recusado por um tribunal de Seul esta quinta-feira, sob o argumento de que não há provas suficientes para deter o líder da Samsung no âmbito do escândalo que levou ao afastamento da Presidente sul-coreana Park Geun-hye, em dezembro.

"É difícil reconhecer a necessidade e substancialidade de uma detenção nesta fase" da investigação, disse o juiz, recusando as provas apresentadas pela procuradoria especial sul-coreana, que sustenta que a empresa pagou 43 mil milhões de wons (34 milhões de euros) para assegurar o apoio do Governo para uma fusão controversa de dois afiliados do conglomerado.

Em comunicado, a Samsung, que rejeita as acusações criminais, reagiu com agrado, dizendo que "os méritos deste caso podem agora ser determinados sem a necessidade de detenção" do seu líder executivo de facto, que tomou as rédeas do principal conglomerado da Coreia do Sul após o seu pai, Lee Kun-hee, ter sofrido um ataque cardíaco em 2014.

Park foi afastada da presidência da Coreia do Sul, em dezembro, sob acusações de abuso de poder e conluio com a sua amiga e confidente Choi Soon-sil, que ter-se-á aproveitado da sua relação de proximidade com a Presidente para obter milhões de dólares de grandes empresas. O dinheiro foi alegadamente transferido para fundações sem fins lucrativos de Choi em troca de tratamento favorável do Governo. A Samsung admite ter feito os pagamentos mas insiste que não esperava nada em troca.

Os deputados da oposição falam numa decisão "lamentável" que ignora a força do sentimento público, que tem estado a reunir-se nas ruas em protesto contra Park e os escândalos de corrupção que a envolvem e a Choi e Lee.

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