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Internacional

Obama transfere 500 milhões de dólares para combater alterações climáticas

CARLOS BARRIA/Reuters

Compromisso assumido pelos EUA perante o Fundo Climático Verde, utilizado para apoiar os mais países mais vulneráveis às alterações climáticas, prevê a transferência de três mil milhões de dólares. Caberá a próxima administração transferir o dinheiro em falta

Helena Bento

Jornalista

Barack Obama anunciou a transferência de 500 milhões de dólares (cerca de 469 milhões de euros) para o Fundo Climático Verde, garantindo assim a operacionalização do que foi decretado no Acordo de Paris, assinado na capital francesa em dezembro de 2015.

Os EUA comprometeram-se a doar para o Fundo Climático Verde um valor de três mil milhões de dólares (aproximadamente 2,8 mil milhões de euros). Há um ano foram transferidos os primeiros 500 milhões de dólares. Donald Trump fica agora responsável por transferir os restantes dois mil milhões de dólares e dar o acordo por cumprido.

Criado pela ONU em 2010, o Fundo Climático Verde (GCF, na sigla em inglês) é financiado pelos países industrializados e utilizado para apoiar os mais países mais vulneráveis e mais ameaçados pelas alterações climáticas.

O fundo, que de acordo com a diplomacia norte-americana representa “a maior instituição financeira multilateral do mundo consagrada à luta contra o aquecimento global”, tem como objetivo angariar 100 mil milhões de dólares (78 mil milhões de euros) por ano até 2020.

“A administração Obama recusa-se a deixar que os barões do petróleo e os céticos das alterações climáticas da equipa de Trump ditem como o mundo devem responder à crise do clima”, afirmou Tamar Lawrence-Samuel, da Corporate Accountability International, organização que lidera esta campanha, citado pelo britânico “The Guardian”. “Milhares de pessoas em todo o mundo apelaram ao Presidente Obama para intensificar os seus esforços antes de Donald Trump tomar as rédeas do Governo e tentar reverter décadas e décadas de progresso ao nível das alterações climáticas”, acrescentou.

Na passada semana, perante o Congresso, Rex Tillerson, o ex-presidente-executivo da petrolífera ExxonMobil que Donald Trump nomeou para futuro secretário de Estado dos EUA, considerou “importante” que os Estados Unidos continuem mobilizados na luta internacional contra o aquecimento global. Tillerman, que durante muitos anos foi diretor de uma empresa petrolífera russo-americana com sede no paraíso fiscal das Bahamas, acredita que as alterações climáticas são provocados pelas ações humanas.

“Nenhum país pode resolver sozinho este problema”, sublinhou então Rex Tillerson, dando a entender que concorda que Washington continue a integrar o acordo de Paris, assinado em dezembro de 2015 por 195 países, que se comprometeram a tentar conter a subida da temperatura do planeta a 1,5ºC, e no qual o Presidente Obama desempenhou um papel fundamental.

Durante a campanha eleitoral, Donald Trump prometeu retirar os EUA do acordo do clima de Paris e de todos os programas globais de combate às alterações climáticas, chegando a dizer que o aquecimento global é um “embuste chinês” forjado para roubar postos de trabalhos aos norte-americanos, mas já depois de ser sido eleito manifestou “abertura” para ponderar a questão.