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Internacional

Novo Presidente gambiano toma posse no Senegal

Adama Barrow, novo presidente da Gâmbia

AFOLABI SOTUNDE/REUTERS

Obrigado a fugir para o Senegal, o recém-eleito Presidente Adama Barrow toma posse na sua embaixada em Dakar. Uma força militar da CEDEAO prepara-se para entrar na Gâmbia e obrigar o Presidente cessante Yahya Jammeha a deixar o cargo

No poder há 22 de anos graças a um golpe de estado, Yahya Jammeha desafia a comunidade internacional e recusa-se a entregar o poder a Adama Barrow, o vencedor das presidenciais de 1 de dezembro.

Uma força militar mandatada pelos 16 paíse da Comunidade Económica da África Ocidental (CEDEAO), sob comando senegalês prepara-se para entrar na Gâmbia e obrigar Jammeha a ceder o cargo ao novo presidente. Adama Barrow anunciou que vai usar a embaixada do seu país em Dacar para a cerimónia de tomada de posse, cerimónia que deverá ocorrer às 16 horas locais, a mesma hora em Lisboa.

De início Jammeha aceitou a derrota, mas uma semana depois, a 9 de dezembro, voltou atrás e decidiu não reconhecer o resultado das eleições. O presidente cessante ainda conseguiu que o Parlamento lhe prolongasse o mandato por mais três meses para que se repetissem as eleições. Ontem à noite, quarta-feira, no seu último dia de mandato o Jammeha declarou o estado de emergência no país. Isto à medida que o seu vice-presidente Njiie Saidy e vários ministros se iam demitindo. Desde do início da semana que os titulares das pastas dos Negócios Estrangeiros, Finanças, Saúde e Informação já tinham abandonado os respetivos ministérios.

Adama Barrow refugiou-se desde domingo no vizinho Senegal – país que praticamente envolve toda a Gâmbia – por recear pela sua vida.

Diplomacia sem resultados

Os esforços diplomáticos para resolver a transição de poderes não deram qualquer resultado até ontem à noite. Um dos negociadores, o Presidente da Mauritânia, Mohamed Abdel Aziz deixou Bajul, a capital gambiana, e reuniu-se na madrugada de hoje no aeroporto de Dakar com o seu hómologo senegalês Macky Sall e com o próprio Adama Barrow.

Entretanto, milhares de turistas oriundos do Reino Unido, a antiga potência colonial, começaram a ser repatriados, anunciou o operador turístico britânico Thomas Cook.

O receio de confrontos armados cresce à medida que não se vislumbra uma solução diplomática. Embora o Chefe de Estado Maior gambiano Ousman Badjie tenha declarado à France Presse que “ isto é um conflito político” e que não vai “envolver as tropas numa combate estúpido”, analistas citados pela BBC dizem que Badjie tem pouca influência na Guarda Nacional, um corpo de elite que é considerado como a gurada pretoriana do presidente cessante.