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Internacional

Delegação de Taiwan vai estar na tomada de posse de Trump

As eleições dos EUA foram seguidas de perto pelas autoridades de Taiwan, com quem Trump já manteria contactos desde a campanha presidencial

Billy H.C. Kwok

MNE da China diz que pediu à equipa de transição do Presidente eleito e à administração de Barack Obama que retirem o convite à delegação taiwanesa

A guerra de palavras entre a China e o futuro Presidente dos Estados Unidos continua em marcha, com Pequim a pedir esta quinta-feira à futura administração que não deixe uma delegação de Taiwan participar na cerimónia da tomada de posse, que tem lugar amanhã em Washington DC.

Depois de ter quebrado décadas de protocolo no rescaldo da sua eleição ao falar diretamente ao telefone com a líder de Taiwan, cuja independência não é reconhecida pela China, Donald Trump decidiu convidar para a sua tomada de posse uma equipa de representantes de Tsai Ing-wen, em mais um passo que deverá enfurecer Pequim.

“Mais uma vez pedimos às partes envolvidas dos EUA que não permitam qualquer delegação enviada pelas autoridades de Taiwan a participar na cerimónia do Presidente e que não tenham qualquer contacto oficial com Taiwan”, reagiu hoje a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying. “Esta mensagem foi transmitida à administração dos EUA em funções e à equipa de transição de Trump”, acrescentou Chunying, sob o argumento de que autorizar a presença dos taiwaneses na tomada de posse pode “causar distúrbios ou minar as relações sino-americanas”.

A representar Pequim na tomada de posse estará o embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai. A equipa taiwanesa vai ser liderada por Yu Shyi-kun, ex-primeiro-ministro e chefe do partido no poder. Em comunicado, a diplomacia da ilha disse que a presença da delegação vai “demonstrar a importância do nosso governo e das pessoas ligadas à relação próxima e amigável entre os nossos dois países”.

A China vê Taiwan como uma província separatista e não reconhece a sua independência, formalmente declarada em 1949 na sequência da Revolução Chinesa liderada por Mao Tsé Tung e rejeitada pelas sucessivas administrações norte-americanas, sob a política de Uma Só China, desde que Jimmy Carter reconheceu a reivindicação de soberania da China sobre a ilha em 1979.

Há algumas semanas, já depois de falar ao telefone com Tsai, Trump enfureceu as autoridades de Pequim ao sugerir que essa política, seguida há décadas pelos EUA, pode vir a tornar-se uma moeda de troca em futuras negociações com a China.