Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Mulher que acusa Trump de assédio sexual processa Presidente eleito por difamação

Frederick M. Brown

Summer Zervos, concorrente da temporada 5 do programa “The Apprentice”, promete retirar processo judicial se o futuro líder norte-americano admitir o que fez há dez anos num encontro entre ambos num hotel de Beverly Hills

Uma ex-concorrente do programa "The Apprentice" que acusa o Presidente eleito norte-americano de assédio sexual deu esta terça-feira início a um processo judicial por difamação contra ele. Summer Zervos, que diz ter sido alvo de avanços sexuais pelo criador e antigo apresentador do programa e futuro líder dos Estados Unidos em 2017, quer vê-lo julgado por ter mentido à nação sobre o seu comportamento e por a ter acusado a ela de mentir.

Numa conferência de imprensa na terça-feira à noite, hora portuguesa, a advogada de Zervos, Gloria Allred, alegou que Trump é um "mentiroso e misógino" que "rebaixou e denegriu" a sua cliente. O processo judicial surge a apenas três dias de o empresário tomar posse como 45.º Presidente dos Estados Unidos.

"Já que o sr. Trump não emitiu uma retração como eu pedi, não me deixa outra alternativa que não processá-lo para vingar a minha reputação", disse Zervos aos jornalistas em Los Angeles. Ao seu lado, Allred garantiu que a antiga concorrente do "The Apprentice" passou no teste do detetor de mentiras.

Zervos é uma das várias mulheres que, durante a campanha presidencial, vieram a público acusar Trump de assédio sexual, em particular depois de, em outubro, a um mês da ida às urnas, ter sido divulgada uma gravação de 2005 onde se ouve o agora Presidente eleito a gabar-se numa conversa com Billy Bush de que apalpa a genitália de mulheres porque é "uma estrela" e por isso "pode" fazê-lo.

A antiga concorrente do reality show, de 41 anos, alega que Trump a assediou sexualmente durante um encontro num hotel de Beverly Hills em que discutiam oportunidades de emprego para a candidata. Nesse encontro, Trump terá "começado a mexer nos seus próprios genitais" enquanto ela tentava recusar os seus avanços.

Ainda enquanto candidato republicano à Casa Branca, Trump desvalorizou esta e outras acusações de teor sexual, classificando-as de "falsas e ridículas" num comunicado onde prometia levar a tribunal as mulheres que o acusavam de tais crimes. Até hoje, nenhum processo judicial foi aberto pelo Presidente eleito.

No processo interposto por Zervos, a mulher alega que Trump a difamou ao tentar desmentir a sua versão dos acontecimentos e ao acusá-la e às outras mulheres de "fabricarem" as alegações de assédio sexual. No final do ano passado, a ex-concorrente do "The Apprentice" exigiu ao Presidente eleito que retirasse essas acusações, um pedido que não foi atendido.

Allred diz que Trump "atirou cada uma dessas mulheres para baixo de um autocarro de forma intencional e maliciosa" e que, ao chamar-lhes repetidamente "mentirosas" em público, as expôs a ameaças dos seus apoiantes e pôs em causa as suas reputações. No encontro com os jornalistas, Zervos acrescentou que está disposta a abdicar do processo judicial se o Presidente eleito voltar atrás nessas declarações e reconhecer o que fez no encontro entre ambos há dez anos.

Depois de ter estado incontactável durante algumas horas, a equipa de Trump divulgou um comunicado esta terça-feira à noite onde identifica um primo em primeiro grau de Zervos, John Barry, a dizer que está "chocado e perplexo" com as suas alegações e a garantir que, antes disto, Zervos só dizia coisas "brilhantes" sobre o Presidente eleito.