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Theresa May não quer permanência “parcial” na União Europeia

STEFAN WERMUTH/REUTERS

BBC avança que, no seu antecipado discurso sobre o Brexit marcado para esta terça-feira, a primeira-ministra do Reino Unido vai delinear 12 objetivos de negociação com Bruxelas

O Reino Unido não vai reter um estatuto “parcial” de permanência na União Europeia assim que o Brexit seja concluído. É esta a grande mensagem que Theresa May vai entregar hoje às autoridades de Bruxelas num muito antecipado discurso sobre a saída do Reino Unido da UE, avança a BBC.

De acordo com o canal público britânico, a primeira-ministra vai confirmar aos Estados-membros que quer manter trocas comerciais “o mais livres possíveis” com os antigos parceiros do bloco regional mas que não vai lutar por uma permanência “meio dentro, meio fora” da UE. Segundo informações avançadas por Downing Street, May vai delinear 12 objetivos negociais a serem debatidos com Bruxelas assim que o artigo 50.º do Tratado de Lisboa for ativado.

Até agora, o governo britânico revelou poucos detalhes sobre como pretende negociar a saída da UE e sobre o futuro do Reino Unido no mercado único e continua apenas a defender que o artigo 50.º será ativado no final de março como prometido em 2016. A alínea do Tratado de Lisboa é o único mecanismo incluído nos documentos base da UE que prevê a saída de um Estado-membro, definindo um prazo máximo de dois anos para que o processo seja concluído.

É esperado que o discurso de May esta terça-feira vá sinalizar o futuro da relação comercial do Reino Unido com a UE, em particular no que respeita ao mercado único e à união aduaneira. Depois do referendo de 23 de junho, quando 52% da população britânica que foi às urnas votou a favor da saída da UE, essa questão tem dominado os debates sobre o Brexit, havendo rumores de que o país ia tentar permanecer no espaço comum de circulação de bens, capital e serviços mas impondo mais controlos à imigração e livre circulação de cidadãos europeus.

Ao longo destes meses, vários líderes europeus têm sublinhado que o Reino Unido não pode “escolher a dedo” que regras do mercado único vai respeitar para continuar a beneficiar dele, garantindo que sem livre circulação de pessoas não pode haver livre circulação de bens. May tem deixado nas entrelinhas que controlar a imigração para o Reino Unido, uma das principais razões que conduziu à vitória do Brexit, é a grande prioridade do seu governo.

Ontem, em entrevista ao programa BBC Newsnight, o ministro-sombra do Brexit, Keir Starmer, disse que o Reino Unido deve continuar a integrar a união aduaneira. “Temos de decidir como vamos lidar com estas negociações, precisamos de ter como objetivo o melhor acordo possível para o Reino Unido”, declarou o trabalhista. “Esse acordo tem de prever trocas comerciais, é um acordo que aceita que as regras da liberdade de circulação têm de mudar, é esse o ponto de partida. Manter a nossa capacidade de trocas na Europa tem de ser uma prioridade para os negócios e ficar na união audaneira é a melhor forma de alcançar isso.”

No seu discurso hoje em Londres, perante uma plateia que vai incluir embaixadores estrangeiros, May deverá anunciar que o Reino Unido mantém o objetivo de ser “o melhor amigo e vizinho dos nossos parceiros europeus” mas que “será também um país que vai para lá das fronteiras da Europa”. Aos 27 Estados-membros da UE, a chefe do executivo britânico vai garantir que o Reino Unido “continua a ser um parceiro de confiança, aliado e amigo próximo”.

“Queremos comprar os vossos bens, vender os nossos, trocá-los o mais livremente possível e trabalhar convosco para garantir que estamos todos mais seguros e mais prósperos através dessa contínua amizade”, dirá May, num discurso onde vai pedir uma “parceria nova e de igual para igual” com a UE. “Não queremos a permanência parcial na UE, nem estatuto de associado da UE nem qualquer coisa que nos deixa meio dentro meio fora. Não queremos adotar um modelo que já é seguido por outros países. Não queremos agarrar-nos a bocadinhos da adesão quando sairmos.”