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Sturgeon: Referendo para a independência da Escócia face ao Reino Unido é “inevitável”

RUSSELL CHEYNE/REUTERS

A primeira-ministra da Escócia acredita que o país deve ter a possibilidade de escolher “um futuro diferente” do traçado pela sua homóloga britânica. Esta terça-feira, no seu discurso sobre o Brexit, Theresa May referiu que o Reino Unido, após a saída, vai controlar a imigração oriunda da UE e abandonar o mercado único

Depois das declarações da primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre o Brexit, os escoceses estão agora mais próximos de pedir a independência em relação ao Reino Unido. Em entrevista à BBC, a chefe do Executivo da Escócia, Nicola Sturgeon, garantiu que um referendo sobre a independência do país é agora “inevitável”.

No seu discurso desta terça-feira, May confirmou que, após o Brexit, o Reino Unido abandonará o mercado único europeu e vai limitar a entrada de imigrantes provenientes da União Europeia (UE). No entanto, a primeira-ministra britânica salientou que o acordo deverá permitir o comércio livre de bens e serviços entre os Estados-membros da UE e a Grã-Bretanha.

Para Sturgeon, o plano de Theresa May é “economicamente catastrófico” e reforçou a ideia de que a Escócia tem de ter a opção de votar pela independência se as suas exigências em relação ao Brexit forem rejeitadas.

A ministra escocesa acusou a homóloga britânica de ignorar os desejos dos escoceses nas negociações da saída do Reino Unido da UE. “As decisões não estão a ser conduzidas pelos melhores interesses racionais do país, mas por obsessões do partido Conservador de extrema direita”, sublinhou.

“O governo do Reino Unido não pode ser autorizado a tirar-nos fora da UE e do mercado único”, referiu Sturgeon, que urgiu May a dar-lhe provas de que a voz da Escócia estava a ser tida em consideração pelo seu governo. Garantiu ainda que não vai permitir “que os interesses da Escócia sejam simplesmente postos de lado e que a Escócia tenha de seguir um caminho que acredita ser perigoso”.

Em dezembro, a chefe do Executivo escocês apresentou um plano para a Escócia permanecer no mercado único europeu, mesmo com a saída do Reino Unido da UE, algo que May ignorou.

Ruth Davidson, líder do partido conservador de May na Escócia, afirmou que Sturgeon devia parar com as ameaças em relação à independência do país e que a primeira-ministra britânica definiu um “plano claro e razoável”, que fará com que os negócios do Reino Unido se processem no âmbito de um “comércio livre com a Europa depois da saída da UE”.

Citada pela Reuters, Davidson referiu ainda que “o partido nacional escocês deveria ter a boa graça de aceitar que muitas das exigências de Sturgeon – incluindo a proteção dos direitos dos trabalhadores e dos direitos para os cidadãos europeus na Grã-Bretanha, bem como a cooperação transfronteiriça para combater a criminalidade – foram reconhecidas pelo governo britânico”.

No passado mês de outubro, Sturgeon afirmou estar comprometida a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para proteger os interesses dos escoceses, que votaram por uma larga maioria (62%) na permanência do Reino Unido na UE no referendo sobre o Brexit a 23 de junho.