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Internacional

Nigéria. Ataque aéreo acidental provoca dezenas de mortos

(Médicos Sem Fronteiras)

A organização Médicos Sem Fronteiras adianta que pelo menos 50 pessoas morreram e 120 ficaram feridas

Dezenas de pessoas morreram na sequência de um ataque aéreo das forças armadas nigerianas que esta terça-feira bombardearam acidentalmente um campo de refugiados. O ataque, que ocorreu às 9h locais (8h em Lisboa) tinha como alvo o grupo radical islâmico Boko Haram.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), citada pelo “The Guardian”, referiu que pelo menos 120 pessoas ficaram feridas e 50 morreram, mas oficiais estatais nigerianos admitem que este número poderá ser mais elevado.

No campo, situado em Rann, próximo da fronteira da Nigéria com os Camarões (área na qual o Boko Haram recentemente aumentou os ataques), estavam alojadas mais de 25 mil pessoas. Entre as vítimas mortais e os feridos acredita-se que estejam refugiados, trabalhadores de ajuda humanitária e tropas nigerianas, escreve o diário britânico.

O general Lucky Irabor, comandante das operações de contra-insurgência nigerianas no nordeste da Nigéria, disse à Associated Press, citado pelo “The Guardian”, que ordenou a missão com base em informação que militantes do Boko Haram se estariam a reunir. No entanto, sublinhou que ainda é muito cedo para determinar as causas deste erro, mas prometeu que seria feita uma investigação nesse sentido.

O Borno é o epicentro da insurreição armada dos islamitas do grupo Boko Haram. O ataque aconteceu quando os trabalhadores humanitários distribuíam alimentos aos refugiados, escreve a Lusa. “Nas últimas semanas, o Boko Haram deslocou a sua base de operações da floresta de Sambisa para Kala e um avião militar confundiu Rann com Kala”, disse à AFP um habitante local.

“Este tipo de ataque em larga escala contra pessoas vulneráveis que já tinham fugido de violência extrema é chocante e inaceitável”, considerou em comunicado o diretor de operações da MSF, Jean-Clement Cabrol. Funcionários locais da MSF e do Comité internacional da Cruz Vermelha (CICR), bem como dois soldados ficaram feridos no ataque, salientou o diretor.

A MSF tem estado a dar cuidados primários aos feridos, exigindo às autoridades nigerianas que façam todos os esforços no sentido de facilitar a retirada dos feridos mais urgentes. “As nossas equipas médicas e cirúrgicas nos Camarões e no Chade estão prontas a tratar dos feridos”, realçou Jean-Clement Cabrol.

A Cruz Vermelha Internacional confirmou entretanto que seis dos seus homens (da Cruz Vermelha nigeriana) morreram no bombardeamento.