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Estreante em Davos, Presidente chinês alerta contra os perigos de uma guerra comercial

LAURENT GILLIERON/EPA

“Ninguém sairá vencedor de uma guerra comercial”, advertiu esta manhã em Davos, Suiça, o chefe de Estado chinês. A presença de Xi Jinping no Fórum Económico Mundial tem lugar depois dos esforços da anterior administração norte-americana para envolver a China numa cooperação multilateral, mas ocorre em plena mudança para a presidência de Trump, que terá uma posição de maior afastamento relativamente ao gigante asiático

A defesa da globalização e a advertência em relação aos perigos de uma guerra comercial marcaram a intervenção do Presidente chinês Xi Jinping esta terça-feira de manhã no Fórum Económico Mundial (FEM), em Davos.

“É verdade que a globalização económica criou novos problemas mas isso não é justificação para anular totalmente a globalização económica. Em vez disso, nós devemos adaptar-nos para guiarmos a globalização económica, amortecer os seus impactos negativos e permitir que os seus benefícios cheguem a todos os países”, afirmou Xi Jinping, durante o primeiro dia do encontro que decorre até sexta-feira.

O chefe de Estado chinês advertiu que “ninguém sairá vencedor numa guerra comercial” e comparou a globalização a um “grande oceano de que ninguém pode escapar”, frisando que os seus efeitos têm provocado uma série de reações em cadeia, como a emergência de populismos políticos no Ocidente.

“A atitude correta é aproveitar todas as oportunidades e em conjunto enfrentarmos os desafios e conduzir a globalização para a rota correta”, acrescentou.

O fundador do FEM, Klaus Schwab, encara a presença do Presidente chinês como um sinal de mudança de um mundo uni-polar dominado pelos Estados Unidos para um sistema multi-pular, onde outras potências como a China terão um papel mais relevante.

“Nós podemos esperar que a China assuma neste novo mundo um papel de liderança mais reativa e responsável”, afirmou em declarações citadas pela agência Reuters.

A estreia do Presidente Chinês em Davos ocorre em sequência dos esforços levados a cabo pelos Estados Unidos para envolverem o país na cooperação multilateral em áreas como o comércio e as mudanças climáticas.

O FEM ocorre contudo em pleno processo de transição da presidência norte-americana, com a passagem do cargo de Obama para Trump a ocorrer na sexta-feira, último dia do encontro, uma transição que deverá levar a uma radical na mudança da política externa dos Estados Unidos. O futuro Presidente tem manifestado o desejo de uma inédita aproximação à Rússia, o mesmo já não se verificando em relação à China, sendo conhecidas as suas posições contra a globalização e a favor do protecionismo em relação às trocas comerciais com outros países.

Trump está representado pelo membro da sua equipa Anthony Scaramucci, enquanto a equipa cessante de Obama é liderada pelo vice-presidente Joe Biden e pelo secretário de Estado John Kerry.

O FEM conta com a participação de mais de 40 chefes de Estado e de Governo. Portugal conta com a presença do primeiro-ministro António Costa e com a do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral. O Ministério da Economia indicou que Vieira Cabral é orador em três eventos e irá manter reuniões bilaterais com representantes de empresas, instituições financeiras e homólogos de países como a Argentina, Canadá e Arábia Saudita.

Também presentes no FEM estão o secretário-geral das ONU, António Guterres, e o banqueiro António Horta Osório.