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Coreia do Norte diz que Obama deveria focar-se em “fazer as malas” e não nos Direitos Humanos

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un

KNS/GETTY

Regime de Pyongyang critica as sanções impostas pelos EUA a sete altos funcionários norte-coreanos e fala numa “política hostil” de uma administração “cujos dias estão a chegar ao fim.” Washington ainda não reagiu à mais recente provocação da Coreia do Norte

A fricção entre a Coreia do Norte e os EUA mantém-se até aos últimos dias do mandato de Obama. Quando faltam três dias para o Presidente norte-americano deixar a Casa Branca, o regime de Pyongyang teceu duras críticas às novas sanções impostas pelo país a sete altos funcionários norte-coreanos.

Num comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, a Coreia do Norte classifica as sanções de “absurdas” e fala numa “política hostil” de uma administração “cujos dias estão a chegar ao fim”.

“Isto não é mais do que o último recurso de Washington para manchar a imagem da DPRK [sigla em inglês de República Popular Democrática da Coreia, o nome oficial da Coreia do Norte] à luz das atuais relações entre a DPRK e os Estados Unidos", pode ler-se no comunicado.

Pyongyang defende ainda que Obama agravou a situação dos Direitos Humanos durante a sua administração, congratulando-se com o facto de as sanções serem os “últimos esforços” do seu cargo que chega ao fim na sexta-feira. “Ele deveria arrepender-se da dor e do infortúnio que trouxe para tantos americanos e outras pessoas no mundo, criando a pior situação de Direitos Humanos nos Estados Unidos durante seu mandato”, acrescenta.

E num tom irónico, afirma que Obama estaria a ser bem aconselhado “a não desperdiçar tempo com outras questões de Direitos Humanos, mas sim a fazer as malas para deixar a Casa Branca”.

A administração de Obama ainda não reagiu à mais recente provocação da Coreia do Norte, segundo a CNN.

Fome e tortura nos gulags

O ministro da Segurança de Estado, Kim Won-hong, e a irmã do líder da Coreia do Norte, Kim Yo-jong, diretora adjunta do Departamento de Propaganda e Agitação do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, encontram-se na lista de pessoas a quem foram impostas sanções por parte dos EUA.

Washington considera que estas duas figuras são algumas das responsáveis pela tortura nos campos de prisioneiros, após um relatório publicado em novembro por parte do Comité para os Direitos Humanos na Coreia do Norte, com base em imagens de satélite que mostram um gulag norte-coreano. A Amnistia Internacional também tem alertado para a situação de fome, tortura, trabalho esforçado que muitas vezes leva à morte dos prisioneiros desses campos.

Ainda antes de tomar posse, Donald Trump fez questão de acalmar as hostes, depois da Coreia do Norte manifestar a intenção de desenvolver um míssil intercontinental. No início do mês, o Presidente eleito dos EUA garantiu num post no Twitter, que os planos da Coreia do Norte não vão constituir uma ameaça para os norte-americanos. Donald Trump — que durante a campanha defendeu em entrevista à Reuters que seria importante negociar o acordo nuclear com o líder norte-coreano Kim Jong-un e que iria pressionar a China para ajudar nesta questão — assegurou que será capaz de refrear os planos nucleares de Pyongyang.

Recorde-se que em junho, o jornal estatal norte-coreano considerava que Trump era um político sábio e que, caso fosse eleito Presidente dos EUA, poderia ser benéfico para as relações com o país.