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Conflito no Iémen já provocou mais de 10 mil mortos

MOHAMMED HUWAIS / AFP / GETTY IMAGES

Balanço de feridos já ultrapassou os 40 mil e há pelo menos 10 milhões de pessoas a precisar de ajuda de emergência, aponta o gabinete da ONU para os Assuntos Humanitários

O responsável de Assuntos Humanitários da ONU para o Iémen, Jamie McGoldrick, anunciou esta terça-feira que a guerra civil em curso na nação mais pobre do mundo árabe já provocou mais de 10 mil mortos e de 40 mil feridos e avisou, paralelamente, que há 10 milhões de pessoas a precisar de ajuda humanitária de emergência no país “para proteger a sua segurança, dignidade e direitos básicos”.

Em comunicado, o gabinete para a coordenação de Assuntos Humanitários que McGoldrick dirige apontou que os números de mortos e feridos têm por base listas de vítimas compiladas pelas autoridades de saúde do país e reconheceu que poderão ser muito superiores.

“Isto volta a sublinhar a necessidade de resolver a situação no Iémen sem mais demora”, declarou aos jornalistas Farhan Haq, vice-porta-voz da ONU, em Nova Iorque. O conflito iniciado há quase três anos, apontou ainda, “tem tido um preço humanitário elevadíssimo” e é preciso encontrar uma solução urgente.

O conflito iemenita opõe os rebeldes hutis às forças aliadas do governo de Abdrabbuh Mansour Hadi. A coligação liderada pela Arábia Saudita deu início a uma campanha de bombardeamentos aéreos em março de 2015 para que Hadi e o seu gabinete pudessem regressar a Sana, depois de terem fugido em setembro de 2014 após os rebeldes tomarem a capital.

A Arábia Saudita é acusada de transformar o conflito civil numa guerra regional sectária mas continua a desmentir estar a matar civis de forma indiscriminada e em elevados números — um facto que, em dezembro, levou a administração Obama a reduzir a venda de armas ao aliado do Médio Oriente.

As declarações de McGoldrick surgiram horas antes de o enviado especial da ONU para o Iémen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, se ter encontrado com o Presidente em Aden, também no sul, onde vários membros do governo de Hadi já regressaram depois do golpe rebelde em Sana há mais de dois anos.

Depois do encontro, Ahmed disse esperar que as negociações de paz sejam reavivadas após Hadi ter rejeitado o plano apresentado pela ONU, onde é proposta a criação de um governo de unidade nacional paralela à retirada dos rebeldes da capital e de outras cidades.

“Um acordo de paz, incluindo um plano de segurança bem articulado e a formação de um governo inclusivo, é a única forma de acabar com a guerra que tem fomentado o terrorismo no Iémen e na região”, disse o enviado da ONU em comunicado. “Pedi ao Presidente que aja rapidamente e que participe de forma construtiva na proposta da ONU a bem do futuro do país. O atual impasse político está a causa mortes e destruição todos os dias. A única forma de acabar com isto é renovar a cessação de hostilidades após consultas que conduzam a um acordo abrangente.”

A proposta rejeitada por Hadi prevê uma enorme redução dos seus poderes em detrimento de um novo vice-presidente, que ficaria responsável pela formação de um governo interino que lidere o país numa fase de transição até às próximas eleições. Ahmed tem mantido encontros com vários governos da região do Golfo nas últimas semanas, incluindo na Arábia Saudita, onde esteve reunido com o governador do banco central do Iémen para discutir a crise financeira que está a assolar as áreas controladas pelos rebeldes.

A ONU classifica o Iémen como o país mais pobre do mundo árabe e um dos que atualmente enfrenta uma das piores crises humanitárias a nível global. Em dois anos, a guerra já fez disparar em 200% a taxa de subnutrição infantil no país. Um relatório aprofundado sobre a situação deverá ser apresentado no Conselho de Segurança no final deste mês.