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Internacional

Síria: grupos da oposição a Assad aceitam integrar negociações de paz

O Exército para a Libertação da Síria, composto sobretudo por desertores das forças armadas, é um dos grupos da oposição armada a Bashar al-Assad

Defne Karadeniz

Encontro está a ser organizado pela Rússia e pela Turquia na capital do Cazaquistão e deverá contar com representantes dos rebeldes moderados para se tentar alcançar um acordo de cessar-fogo para a Síria

Alguns grupos rebeldes sírios terão aceitado participar nas conversações de paz que a Turquia e a Rússia estão a organizar na capital do Cazaquistão, com o objetivo declarado de alcançar e fazer respeitar um cessar-fogo em todo o território sírio, quando faltam dois meses para a sangrenta guerra civil na Síria completar seis anos.

A notícia está a ser avançada pela Reuters esta manhã, com base em declarações de membros de alguns grupos da oposição moderada a Bashar al-Assad. "As fações vão [a Astana] e a primeira coisa que vão fazer é discutir o cessar-fogo e as violações deste pelo regime", disse fonte do Exército para a Libertação da Síria, ecoando a mesma acusação feita pela Turquia ao governo de Assad no início de janeiro. A fonte pediu para não ser identificada porque os grupos rebeldes ainda não escolheram o seu porta-voz para o encontro.

"A maioria dos grupos [da oposição] decidiu participar" no encontro na capital cazaque, disse outra fonte, Zakaria Malahifji, do grupo rebelde Fastaqim, à mesma agência. "As discussões vão centrar-se no cessar-fogo, em questões humanitárias como a entrega de ajuda e a libertação de detidos."

Os grupos da rebelião anti-Assad, que inicialmente tinham prometido boicotar as negociações de paz após denunciarem que não tinham sido informados sobre os pormenores do acordo de trégua que vai ser discutido a 23 de janeiro em Astana, tomaram a decisão de integrar as negociações durante um encontro em Ancara, capital da Turquia.

Nessa reunião, os vários grupos decidiram criar uma delegação que será diferente do Comité de Altas Negociações (HNC, na sigla inglesa) – que, no ano passado, falou pela oposição a Assad nas reuniões de paz organizadas em Genebra e que era composto sobretudo por membros da oposição síria financiados pela Arábia Saudita.

Esta sábado, o HNC, formado em Riade em dezembro de 2015 e que inclui opositores sírios políticos e armados, disse que apoia os esforços de paz que vão ter lugar no Cazaquistão e considerou o encontro de 23 de janeiro como um passo preliminar para que as negociações em Genebra sejam retomadas.

Malahifji garante que a nova delegação vai ser criada em parceria com o HNC, mas que vai ser diferente deste grupo porque "os russos estão a focar-se muito mais nas fações militares" que combatem Bashar al-Assad desde 2011.

A Rússia, um dos dois países promotores do encontro da próxima semana em Astana, é a grande aliada da Síria de Assad. A Turquia, que no início da guerra apoiava a deposição do Presidente sírio, alterou entretanto as suas prioridades quanto ao país vizinho; está agora a concentrar esforços no combate às forças curdas no terreno e ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) em áreas do norte da Síria, ao longo da fronteira com o território turco.