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Internacional

Oito pessoas mais ricas do mundo detêm a mesma riqueza que os 50% mais pobres

Spencer Platt

“É tempo de criar uma economia humana que beneficie toda a gente e não apenas um punhado de privilegiados”, alerta a Oxfam. “A forma como as nossas economias estão delineadas e os seus princípios trouxeram-nos a um ponto extremo, injusto e insustentável. A nossa economia tem de parar de compensar excessivamente os que estão no topo e começar a trabalhar para toda a gente”

Os oito multimilionários mais ricos do mundo controlam atualmente a mesma quantidade de riqueza que a metade mais pobre da população global, de acordo com um novo relatório da Oxfam divulgado esta segunda-feira sobre a "crescente e perigosa" concentração de riqueza nas mãos de um punhado de pessoas.

No relatório, cuja publicação coincide com o início do Fórum Económico Mundial hoje em Davos, na Suíça, a organização diz que "é mais que grotesco" que um punhado de pessoas, à cabeça o fundador da Microsoft Bill Gates, valham 426 mil milhões de dólares (cerca de 400 mil milhões de euros) – o equivalente à riqueza combinada das 3,6 mil milhões de pessoas mais pobres do mundo – e pede alterações profundas ao modelo económico "injusto" que está a aumentar as desigualdades a nível mundial.

"É tempo de criar uma economia humana que beneficie toda a gente e não apenas uns poucos privilegiados", alerta a Oxfam na introdução do documento. "A forma como as nossas economias estão delineadas e os seus princípios trouxeram-nos a um ponto extremo, injusto e insustentável", lê-se. "A nossa economia tem de parar de compensar excessivamente os que estão no topo e começar a trabalhar para toda a gente."

Para a confederação de organizações sem fins lucrativos, centrada em questões de desenvolvimento e sustentabilidade económica, é necessário criar um novo modelo económico para reverter a tendência de crescente desigualdade que ajuda a explicar fenómenos recentes como o Brexit no Reino Unido ou a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Esta crescente desigualdade, aponta o grupo, tem por base restrições salariais agressivas, uma cultura de evasão fiscal e a compressão dos produtores pelas empresas, que estão "demasiado focadas" na obtenção de cada vez mais lucros para os seus detendores e executivos de topo.

A par de Gates, de Amancio Ortega, fundador e dono da Inditex, e Warren Buffett, investidor e atual chefe executivo da Berkshire Hathaway, contam-se na lista dos oitos mais ricos Carlos Slim Helú, o magnata mexicano de telecomunicações que detém o conglomerado Grupo Carso; Jeff Bezos, fundador da Amazon; Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook; Larry Ellison, diretor-executivo da empresa de tecnologia Oracle; e Michael Bloomberg, ex-autarca de Nova Iorque que fundou e detém a agência de notícias financeiras Bloomberg.

Há apenas um ano, a Oxfam sublinhava que os 62 mais ricos do mundo partilhavam a mesma riqueza que metade da população global; esse número contraiu agora para oito, aumentando o fosso entre ricos e pobres, em parte porque a China e a Índia estão em piores condições económicas do que se julgava anteriormente.

Na semana passada, o Fórum Económico Mundial já tinha avisado que a crescente desigualdade e a polarisação social representam dois grandes riscos para a economia global em 2017, podendo resultar no retrocesso da globalização.