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Internacional

México em polvorosa contra aumento do preço dos combustíveis

DANIEL BECERRIL/REUTERS

Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo e mais manifestações estão agendadas para esta segunda-feira na Cidade do México e em todo o país. O súbito aumento dos peços, entre 14 e 20%, fez disparar o descontentamento da população a um nível que não acontecia desde 2014, quando 43 estudantes foram raptados

O partido de esquerda PRD convocou uma nova grande manifestação para esta segunda-feira na capital do México contra o aumento dos preços dos combustíveis, depois de neste domingo o assunto ter levado milhares de pessoas a protestarem em vários pontos do país.

A súbita subida, entre 14 e 20% do preço da gasolina e do gasóleo, fez disparar o descontentamento no país contra o Presidente Enrique Peña Nieto, a um nível que não se verificava desde 2014, na altura do escândalo do rapto de 43 estudantes da comunidade rural de Ayotzinapa , ao que tudo indica detidos pelas autoridades locais, devido a questões relacionadas com protestos políticos, e entregues aos cartéis de droga que os terão eliminado.

“O aumento não é devido a um ajuste fiscal mas sim a uma revisão dos custos em comparação com o preço internacional do petróleo”, declarou aos jornalistas Miguel Messmacher, subsecretário de Estado das Finanças.

Os aumentos previstos, no âmbito do início da primeira fase da abertura do mercado dos combustíveis aos privados e da liberalização dos preços, estavam calendarizados apenas para 2018 mas o Governo decidiu antecipar a decisão.

O Presidente justificou a medida para “evitar consequências mais graves no futuro”, alegando que a manutenção do preço artificial dos combustíveis implicaria uma despesa adicional de 8,7 mil milhões de euros, verba equivalente aos custos de quatro meses da Segurança Social e de dois anos dos programas de assistência social. “Para evitar isso, o Governo decidiu tomar estas dificeis decisões”, acrescentou Peña Nieto.

A partir de 18 de fevereiro, o preço vai ser atualizado diariamente.

A liberalização dos preços ocorre em sequência da reforma iniciada em 2014 para acabar com o monopólio estatal de quase 80 anos no sector, abrindo a produção de petróleo no México a empresas privadas estrangeiras.

Para além das manifestações, os protestos já deram lugar a cortes de estradas, saques e confrontos com as autoridades, sendo de prever que a vaga de descontentamento venha a prosseguir.