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Expresso

Internacional

Coreia do Sul quer líder da Samsung atrás das grades

Chung Sung-Jun

Procurador especial sul-coreano tenta obter mandado de detenção contra Lee Jae-yong no âmbito do escândalo de corrupção que, há um mês, levou ao afastamento da Presidente Park Geun-hye. “Fazer cumprir a Justiça é mais importante que as condições económicas do país”, diz porta-voz da procuradoria sobre decisão de perseguir chefe do maior conglomerado do país, cujas receitas representam 17% do PIB sul-coreano

O procurador especial da Coreia do Sul pediu esta segunda-feira a um tribunal de Seul que emita um mandado de detenção contra Lee Jae-yong, chefe do grupo Samsung, o maior conglomerado financeiro do país, por suspeitas de ter subornado em milhões de euros uma amiga da Presidente Park Geun-hye, que foi afastada do poder em dezembro por ter permitido que Choi Soon-sil interferisse na vida política do país. Ambas já começaram a ser julgadas por crimes de corrupção, fraude e abuso de poder.

Na semana passada, a equipa responsável por investigar o escândalo de corrupção que agita a Coreia do Sul tinha passado 22 horas seguidas a interrogar Lee, na sequência da destituição parlamentar de Park há um mês. O gabinete do procurador especial acusa Lee de ter desembolsado um total de 43 mil milhões de wons (cerca de 34 milhões de euros) em subornos pagos a organizações ligadas a Choi, a amiga e confidente da Presidente destituída que está no centro deste escândalo. Os alegados subornos teriam como objetivo assegurar a fusão de dois afiliados da Samsung e cimentar o controlo de Lee sobre o negócio da família.

O empresário de 48 anos tornou-se o líder de facto do grupo Samsung, depois de o seu pai Lee Kun-hee ter sofrido um ataque cardíaco em 2014. É ainda acusado de fraude e de prestação de falsos testemunhos, lê-se no pedido apresentado pela procuradoria.

"O gabinete do procurador especial, ao tomar a decisão de pedir um mandado de detenção, determinou que embora as condições económicas do país sejam importantes, fazer cumprir a Justiça é mais importante", disse Lee Kyu-chul, porta-voz do procurador, numa conferência de imprensa esta segunda-feira, acrescentando que os procuradores já reuniram provas de que Park e Choi partilharam lucros obtidos através dos subornos pagos.

Esta quarta-feira, o tribunal distrital central de Seul vai decidir se aprova ou não o pedido de mandado da procuradoria contra Lee. A Samsung, cujas receitas rondam os 230 mil milhões de dólares (o correspondente a 17% do PIB su-coreano), rejeita as acusações que pendem sobre o seu administrador. "É difícil entender a decisão do procurador especial", disse a assessoria da empresa num email enviado à agência Reuters.