Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A história da mulher que é alérgica ao marido

Aos 29 anos, Johanna Watkins vive confinada em casa. Tem uma doença rara que a impede de ter uma vida normal. Até um beijo ou um abraço do marido podem ser fatais

Há doenças raras que limitam a vida. Mas são poucas as que limitam tanto como aquela que tem Johanna Watkins, uma norte-americana que vive no estado de Minnesota. Chama-se “síndrome de ativação de mastócitos” e resulta do facto de o sistema imunológico receber sinais errados do exterior e atacá-lo.

Aos 29 anos, Johanna vive prisioneira em casa, porque facilmente desenvolve um choque anafilático (reação alérgica grave). Até um beijo ou um abraço do marido podem ser fatais.

Quando se casaram em 2013, Johanna não tinha consciência da gravidade da doença, que se foi agravando nos últimos anos. Há um ano que vivem na mesma casa, mas sem se verem fisicamente. Ela vive num quarto no sótão com condições especiais – nomeadamente um filtro específico para a ventilação –, ele vive no andar em baixo e presta toda a assistência à mulher à distância, incluindo a preparação das refeições, que se restringem a dois pratos com base em 15 ingredientes, a que Johanna não é intolerante.

“Passo os dias a ler a Bíblia, a enviar emails e a falar no telemóvel. Apesar de tudo, tenho muitas bênçãos na minha vida, à qual devo estar grata”, disse Johanna à BBC.

Nesta altura, o casal vive numa casa emprestada por uns amigos que têm quatro filhos com menos de nove anos. Por solidariedade a Johanna e Scott, não cozinham há um ano em casa, nem utilizam produtos com aromas.

Os vizinhos do bairro também têm evitado fazer churrascos na rua com medo de prejudicar o estado de Johanna e, em julho, criaram uma campanha para angariar dinheiro para o casal comprar uma casa com todas as condições.

Antes de ter desenvolvido a alergia ao marido, Johanna já não podia estar com os pais. As duas irmãs são as únicas pessoas com quem não revelou ainda intolerância: ainda assim, só podem estar juntas na condição de ambas usarem um sabonete sem cheiro e não consumirem alho, cebola e pimenta.

“No dia do nosso casamento fizemos votos, prometendo ficarmos juntos até que a morte nos separe. Não interessa o que a vida nos trouxe”, garante o casal.