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Internacional

Trump está a comprar guerra com Pequim por causa do Mar do Sul da China

Getty Images

Assim ditam os media estatais chineses esta sexta-feira, dois dias depois de Rex Tillerson, o homem que Donald Trump escolheu para chefiar a diplomacia norte-americana, ter prometido bloquear o acesso da China às ilhas artificiais que tem estado a construir na disputada região marítima

Os Estados Unidos estão a arriscar-se a comprar uma "guerra de larga escala" com a China se tentarem bloquear o acesso das autoridades do país às ilhas artificiais que têm estado a ser construídas no Mar do Sul da China, como prometido por Rex Tillerson, o homem do petróleo que Donald Trump escolheu para secretário de Estado.

Assim ditam esta sexta-feira os media estatais chineses, com base nas declarações de Tillerson ao Senado esta quarta-feira, durante a sua primeira audiência de confirmação para o cargo. Se a administração Trump avançar com a promessa do potencial futuro chefe da diplomacia norte-americana, "é melhor que os dois lados se preparem para um confronto militar", avisa o "Global Times" no seu editorial esta manhã.

Na quinta-feira, no rescaldo das declarações de Tillerson, especialistas consultados pelo "The Guardian" já tinham alertado que a futura política de confrontação com Pequim podia levar a uma guerra séria. “A China tem sido contida face a todos os tweets e à retórica [anti-Pequim de Trump], porque tem esperança de conseguir pôr a relação EUA-China num ponto de equilíbrio", explicava esta quinta-feira Bonnie Glaser, conselheiro para a Ásia do Centro de Estratégia e Estudos Internacionais, ao jornal britânico. “Os chineses ainda não desistiram disso, mas a qualquer momento Xi Jinping pode começar a desistir, porque ser visto como fraco vai prejudicar as suas capacidades para consolidar o poder.”

A China tem estado a construir ilhas artificiais equipadas com sistemas de defesa antiaérea e outras fortificações militares no Mar do Sul da China, um território marítimo rico em recursos naturais e reservas piscatórias e uma importante rota de trocas comerciais, que é disputado por Taiwan e outros cinco países do sudeste asiático.

Na quarta-feira, Tillerson comparou a controversa estratégia chinesa à "anexação da Crimeia pela Rússia" e disse que, sob o governo de Trump, "o acesso da China às ilhas já não vai ser permitido". Na audiência, o futuro chefe da diplomacia, cuja nomeação poderá ser bloqueada pelo Senado, não especificou, contudo, como pretende impedir o acesso de Pequim às ilhas. Vários especialistas concordam que tal só poderá ser alcançado através da força.

"É melhor que Tillerson reforce as suas estragégias de poderio nuclear se quer forçar uma grande potência nuclear a retirar-se dos seus próprios territórios", escreve hoje o jornal "Global Times", que é controlado pelo governo comunista. "A China tem determinação e força suficientes para se certificar de que as promessas inflamadas [de Tillerson] não têm sucesso. A menos que Washington esteja a planear uma guerra de larga escala no Mar do Sul da China, qualquer outra tentativa para impedir o acesso chinês às ilhas será insensata."