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Serviços de informação dos EUA aconselham Israel a não partilhar informações secretas com Trump

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Por causa das alegadas ligações do Presidente eleito ou de pessoas que lhe são próximas ao Governo russo, a comunidade de serviços secretos dos Estados Unidos teme que a informação sensível que o Estado hebraico venha a partilhar com a futura administração norte-americana possa chegar ao Irão

O jornal israelita "Yediot Ahronot" avançou esta quinta-feira que os serviços de informação norte-americanos têm estado a aconselhar os homólogos hebraicos a não partilharem informações secretas com a administração de Donald Trump, sob pena de estas chegarem ao Irão e a outros rivais do Estado hebraico por causa das suspeitas ligações do Presidente eleito ou de pessoas que lhe são próximas ao Governo russo de Vladimir Putin.

De acordo com o jornalista de investigação Ronen Bergman, que assina o artigo em causa, as preocupações têm sido manifestadas em encontros privados e têm por base a suspeita de que Trump e/ou membros da sua equipa têm mantido ligações à Rússia, cujos serviços de informação estão associados às secretas iranianas.

O repórter aponta que as agências de Israel e dos Estados Unidos partilham o receio de que as informações confidenciais – como os métodos clandestinos de operações e obtenção de informações secretas utilizados pelo Estado hebraico e partilhados com os EUA no passado – possam chegar ao Irão através da Rússia.

Num enconto recente de funcionários americanos com homólogos israelitas, adianta Bergman, os primeiros disseram acreditar que Putin tem "alavancas de pressão" sobre Trump, embora na altura não tenham avançado mais pormenores. Esse encontro aconteceu antes de a CNN e o BuzzFeed noticiarem a existência de um explosivo dossiê que contém alegações sobre a Rússia estar há vários anos a reunir informações escabrosas sobre o empresário, ao mesmo tempo que o preparava para se candidatar à Casa Branca, para ter "podres" com que possa chantagear e dominar o Presidente eleito dos EUA.

Ainda segundo Bergman, os agentes secretos norte-americanos deram a entender a Israel que "deve ter cuidado" ao transmitir informações secretas à Casa Branca e ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA assim que Trump tomar posse a 20 de janeiro ou, no mínimo, até ser comprovado que o futuro Presidente não mantém quaisquer ligações inapropriadas com o governo russo.

Os mesmos agentes disseram ainda estar convencidos de que Edward Snowden – o ex-agente da NSA exilado na Rússia após ter denunciado a existência de programas de vigilância secreta de cidadãos e governos estrangeiros – entregou a Putin informações secretas em troca do asilo político e que alguns desses dados já foram reencaminhados para Teerão, no âmbito da estratégia de Putin de aumentar a dependência iraniana de Moscovo.