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Internacional

Rússia afirma que presença militar dos EUA na Polónia é uma “ameaça à segurança” do país

ANNA KRASKO / AGENCJA GAZETA VIA REUTERS

O Governo da Rússia deixou claro que está preocupado com o destacamento militar dos EUA perto da sua fronteira. Segundo o MNE russo, a presença dos soldados norte-americanos vai contribuir para “desestabilizar a segurança europeia”

A chegada de mais de três mil soldados e veículos de combate norte-americanos esta quinta-feira à Polónia provocou irritações na Rússia. Segundo o porta-voz do Presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, em declarações à BBC, este destacamento militar configura uma “ameaça aos interesses e à segurança” do país.

As tropas fazem parte de uma resposta de Barack Obama, acordada no verão passado, para dar proteção aos aliados da NATO da Europa oriental, que se encontram preocupados com a postura “agressiva” da Rússia. É o maior destacamento militar americano na Europa desde o final da guerra fria.

Tomasz Szatkowski, subsecretário de Estado da Polónia para a Defesa, referiu que os militares norte-americanos são necessários devido aos “numerosos exercícios” russos próximo da fronteira com a Polónia e as suas “ações agressivas na vizinhança, como [as movimentações militares russas] na Ucrânia e a anexação ilegal da Crimeia” em 2014, escreve a BBC.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexei Mechkov, garantiu que a presença militar norte-americana é um “fator desestabilizador para a segurança europeia”. Salientou ainda que em causa está “um terceiro país que se encontra a construir a sua presença militar na fronteira russa com a Europa. Nem sequer é um estado europeu”.

Esta intervenção militar estava agendada para o final do mês, mas foi antecipada, possivelmente como uma tentativa de Barack Obama para bloquear a intervenção de Donald Trump, escreve o “The Guardian”. No entanto, o Presidente eleito dos EUA pode vir a cancelar esta intervenção militar, dado já ter afirmado que pretende reforçar as relações entre a América e a Rússia. No entanto, na conferência de imprensa da passada quarta-feira, Trump ressalvou que não era um dado adquirido que viria a trabalhar com Putin.

Para além dos soldados, os Estados Unidos enviaram ainda uma frota com 87 tanques e 144 veículos armados. Aterraram na Alemanha, na semana passada, e começaram a sua deslocação para a Polónia esta quinta-feira. O destacamento militar norte-americano vai ainda levar a cabo exercícios militares nos países do Báltico.

As forças norte-americanas e outras tropas aliadas têm vindo a realizar exercícios militares conjuntos no flanco leste da Aliança Atlântica, mas esta deslocação das tropas dos EUA é a primeira com caráter permanente na região por parte de um aliado da NATO, escreve a Lusa.